No Setembro Amarelo, psicóloga chama atenção para os desafios de pedir ajuda e os sinais de que é hora de buscar apoio
Falar que não está bem nem sempre é fácil. A dificuldade de compartilhar sentimentos ou de colocar em palavras o que está acontecendo tem levado algumas pessoas a buscar outros espaços para desabafar. Entre eles estão as ferramentas de inteligência artificial, disponíveis a qualquer hora e acessíveis pelo celular.
Para a psicóloga do Hospital São Mateus Amanda Almeida, a facilidade de acesso e a sensação de não estar sendo julgada ajudam a compreender esse comportamento. A tecnologia pode funcionar como um primeiro espaço para organizar sentimentos, desde que seus limites sejam reconhecidos.
“Às vezes, a pessoa está passando por alguma situação difícil e encontra na IA um espaço disponível naquele momento para organizar o que está sentindo e colocar aquilo em palavras”, observa.
A conversa pode contribuir para uma reflexão e até fazer com que alguém perceba a necessidade de buscar apoio. O cuidado começa quando esse recurso passa a ser considerado suficiente para lidar com questões mais complexas ou se transforma na única fonte de apoio.
Segundo a especialista, a inteligência artificial não substitui uma avaliação profissional. Recorrer somente à ferramenta pode adiar um atendimento necessário, principalmente quando as dificuldades persistem ou começam a interferir na rotina.
Quando é hora de pedir ajuda
Mudanças que se prolongam e passam a afetar atividades cotidianas, relacionamentos, trabalho ou estudos merecem atenção. Nos momentos de maior vulnerabilidade emocional, o contato humano ganha ainda mais importância por permitir uma avaliação que considera a história e o contexto de cada pessoa.
“Em uma situação de crise, a pessoa precisa de acolhimento, avaliação e, muitas vezes, de uma intervenção que considere toda a história dela. O contato humano permite perceber coisas que vão muito além do que é escrito ou dito naquele momento. E, principalmente, permite construir um vínculo terapêutico”, pontua.
No Setembro Amarelo, Amanda Almeida chama atenção para a importância de não esperar que as dificuldades emocionais se agravem. Pensamentos relacionados à morte ou à vontade de não continuar vivendo precisam ser levados a sério, e procurar alguém de confiança ou um profissional de saúde pode ser um passo importante.
“Use como uma ferramenta de apoio, mas não como substituta do cuidado profissional. Se você percebe que está sofrendo, que isso está se prolongando ou que está tendo pensamentos de morte ou de não querer mais viver, procure ajuda. Não enfrente isso sozinho. Converse com alguém de confiança e busque um profissional de saúde”, orienta.






