O palco foi o Paiaguás Palace Hotel. O resultado? Um encontro que transcendeu o esporte.
Em um movimento que vai além da estratégia esportiva, a Seleção Canadense de Futebol Feminino surpreendeu ao dar um passo diferente na sua preparação: antes do confronto contra o Brasil, elas decidiram sentir o Brasil. E sentir, de verdade.
Em Cuiabá, durante a FIFA Series, as campeãs olímpicas convidaram o Mestre de Capoeira Weto Salgado (Mestre Veto) para uma missão especial: ensinar mais do que golpes ou passos transmitir cultura, energia e identidade. O palco foi o Paiaguás Palace Hotel. O resultado? Um encontro que transcendeu o esporte.
Logo nos primeiros minutos, o que era apenas um workshop se transformou em algo maior. As atletas, acostumadas à disciplina tática e física, se permitiram viver o inesperado: entraram na roda, sorriram, erraram, aprenderam… e se conectaram. Porque na Capoeira não existe só técnica. Existe história, resistência e alma.
E foi isso que elas buscaram:
– O ritmo do berimbau
– O gingado do corpo
– A malícia do jogo
– E o calor humano que define o povo brasileiro
Em paralelo, o samba no pé trouxe leveza e soltura ingredientes fundamentais para quem precisa competir sob pressão.
Não foi apenas treino.
Foi preparação emocional.
Durante a vivência, o Mestre Veto apresentou também a força dos projetos sociais desenvolvidos pela Escola Aruandê Capoeira, mostrando que ali não se formam apenas atletas, mas cidadãos, histórias e futuros.
A comunicação, que poderia ser uma barreira, virou ponte. Com o apoio de missionários da Igreja de Jesus Cristo dos Santos dos Últimos Dias, cada palavra, gesto e ensinamento ganhou significado criando uma conexão rara e verdadeira.
Ao final, um gesto simbólico selou o momento:
As canadenses entregaram uma camisa autografada por toda a equipe.
E receberam, em troca, camisetas da Aruandê Capoeira e da Federação Matogrossense.
Mais do que lembranças, um intercâmbio de respeito.
A iniciativa partiu da Psicóloga da Seleção e da Ex-Jogadora e auxiliar técnica Bruna, uma Cearense, ex-capoeira, que entendeu algo que muitos ignoram:
para enfrentar o Brasil, é preciso entender o Brasil.
E entender o Brasil, passa pela sua cultura.
Esse encontro deixa uma mensagem poderosa:
no alto rendimento, não vence apenas quem treina mais…
vence quem se conecta melhor com o jogo, com o momento e com a própria essência.
Naquele dia, em Cuiabá, não houve adversárias.
Houve troca. Houve verdade. Houve Axé.
E talvez seja exatamente isso que faça a diferença dentro de campo.






