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Excesso de repetição e má postura mantêm LER e DORT em alta no país

Ortopedista do Hospital São Mateus explica por que microtraumas diários podem evoluir para lesões crônicas e incapacidade funcional

A rotina profissional moderna transformou movimentos simples em fatores de risco. Digitar por horas, operar equipamentos, manter braços elevados sem apoio ou permanecer longos períodos na mesma posição expõem músculos, tendões e nervos a uma sobrecarga contínua. O resultado é o crescimento dos casos de Lesões por Esforço Repetitivo (LER) e Distúrbios Osteomusculares Relacionados ao Trabalho (DORT).

No Dia Mundial de Combate às LER/DORT, celebrado em 28 de fevereiro, o ortopedista do Hospital São Mateus, Cassio Mauricio Telles chama atenção para a base mecânica do problema. Segundo ele, essas condições surgem quando microtraumatismos repetidos vencem a capacidade natural de regeneração do organismo.

“Os membros superiores passaram a funcionar como executores permanentes das demandas do cérebro. Quando aumentamos intensidade e repetição sem respeitar pausas e ergonomia, criamos um ciclo de fadiga e dano progressivo”, explica.

As LER e DORT englobam quadros como tendinites e compressões nervosas. Elas continuam frequentes porque grande parte das atividades profissionais exige movimentos repetitivos, posturas mantidas por tempo prolongado e esforços estáticos — quando o músculo permanece tensionado sem descanso.

Onde o problema começa

As regiões mais afetadas são dedos, mãos, punhos, antebraços e cotovelos, envolvendo estruturas tendíneas e nervos como o mediano, o ulnar e o radial. A coluna cervical e lombar e a musculatura dos ombros também estão entre as áreas mais impactadas.

Os primeiros sinais costumam ser discretos. A dor aparece como cansaço ou fadiga difusa. Muitas vezes há formigamento, dormência ou até sensação de choque durante a noite.

Com a progressão do quadro, podem surgir perda de força, redução da amplitude de movimento e dificuldade para tarefas simples, como escrever ou segurar objetos. Quando há persistência de sintomas neurológicos, o risco de dano estrutural aumenta. “Fraqueza contínua e parestesias intensas são sinais de alerta que não devem ser ignorados”, reforça o especialista.

O uso prolongado de computador e celular intensificou o desgaste. Trabalhar com braços sem apoio, manter o pescoço inclinado por horas ou utilizar cadeiras inadequadas favorece compressões nervosas e inflamações tendíneas.

Segundo o ortopedista, a manutenção dessas posturas ao longo dos anos acelera o processo de sobrecarga e pode transformar desconfortos passageiros em lesões estruturais.

Prevenção e tratamento

As pausas também são parte essencial da prevenção. “Interromper movimentos repetitivos a cada uma ou duas horas permite que o tecido recupere parte da sua capacidade de regeneração”, orienta Cassio Mauricio Telles.

Na maioria dos casos, o tratamento é conservador e eficaz, envolvendo medicação adequada, fisioterapia especializada, uso de órteses e ajustes ergonômicos na atividade profissional. A cirurgia é indicada apenas em situações avançadas ou quando há falha do tratamento clínico.

O especialista faz um alerta para quem convive com dor e adia a procura por avaliação: a exposição contínua aos microtraumas pode levar a degenerações progressivas, atrofia muscular e perda funcional permanente. Buscar atendimento aos primeiros sinais não é excesso de cuidado — é a medida mais segura para evitar que um quadro reversível evolua para incapacidade.

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