O médico Homero Florisbelo da Silva destaca que a doença ainda é um grave problema de saúde pública no Brasil, mas tem cura quando identificada e tratada a tempo
*Por Itimara Figueiredo
Em alusão ao Janeiro Roxo, campanha dedicada à conscientização e ao combate à hanseníase, o médico Homero Florisbelo da Silva alertou para a importância do diagnóstico precoce e do enfrentamento ao preconceito ainda associado à doença.
Segundo o especialista, apesar de ser uma das doenças mais antigas da humanidade, a hanseníase continua sendo um grave problema de saúde pública no Brasil. “O país registra cerca de 30 mil novos casos por ano, ficando atrás apenas da Índia, que tem uma população aproximadamente seis vezes maior que a brasileira”, destacou.
Homero Florisbelo explica que a hanseníase é uma doença antiga, citada inclusive em relatos bíblicos, e que sua permanência até os dias atuais está relacionada, entre outros fatores, às condições climáticas. “Por ser uma doença tropical, ela é mais comum em regiões quentes e úmidas, especialmente na Amazônia Legal”, afirmou. Estados como Amazonas, Rondônia e Mato Grosso concentram elevados índices da doença e são considerados áreas endêmicas.
De acordo com o médico, a transmissão da hanseníase ocorre de forma lenta e difícil, exigindo convivência prolongada com uma pessoa infectada que não esteja em tratamento. “É necessário um contato muito próximo e contínuo, como dividir o mesmo ambiente por longos períodos. Mesmo assim, a doença pode demorar até 10 anos para se manifestar após a exposição”, explicou.
Entre os principais sinais de alerta estão manchas claras ou avermelhadas na pele com perda de sensibilidade, queda de pelos sobre as lesões, dormência e formigamento. Em casos mais avançados, podem surgir nódulos, febre, inflamações nos olhos e lesões disseminadas pelo corpo. O comprometimento dos nervos é comum, especialmente nos membros inferiores, podendo levar a incapacidades físicas.
Tratamento tem cura e é oferecido pelo SUS
Homero Florisbelo reforça que a hanseníase tem cura e que o tratamento é simples, eficaz e disponibilizado gratuitamente pelo Sistema Único de Saúde (SUS). “Após a primeira dose da medicação, o paciente já deixa de transmitir a doença”, ressaltou.
No entanto, ele alerta para os riscos do abandono do tratamento. “A interrupção pode levar à resistência medicamentosa e à evolução para formas crônicas da doença”, frisou.
O médico também destaca que o diagnóstico precoce é fundamental para evitar sequelas. “Quanto mais cedo a hanseníase for identificada, menores são as chances de deformidades, como perda de dedos, comprometimento dos pés e limitações funcionais”, pontuou.
Além da transmissão entre pessoas, o especialista lembra que, no Brasil, alguns animais silvestres, especialmente o tatu, podem atuar como reservatórios da bactéria, o que exige atenção redobrada em áreas rurais e de mata.
A campanha Janeiro Roxo reforça o papel da informação no combate à hanseníase, ao preconceito e ao estigma ainda associados à doença. A iniciativa incentiva a população a procurar atendimento médico ao primeiro sinal suspeito, uma vez que o tratamento precoce garante a cura e preserva a qualidade de vida.
Tratamento e diagnóstico da hanseníase
O tratamento da hanseníase é padronizado em todo o país e segue o mesmo protocolo, independentemente da forma clínica da doença. São utilizadas duas fórmulas da poliquimioterapia, disponibilizadas gratuitamente pelo SUS.
De acordo com Homero Florisbelo, o tempo de tratamento varia conforme a classificação da doença. “O tratamento pode durar seis meses ou um ano. Se o paciente seguir corretamente todas as orientações médicas, ele estará curado ao final desse período”, explicou.
O diagnóstico é realizado, inicialmente, a partir da história clínica, com avaliação dos sintomas dermatológicos e da neuropatia periférica, como manchas com alteração de sensibilidade, formigamento e perda de força. Entre os sinais clínicos também está o espessamento de nervos, podendo haver alterações visíveis, como o engrossamento do lóbulo da orelha.
Além da avaliação clínica, o diagnóstico pode ser confirmado por exames laboratoriais, como o teste rápido e a baciloscopia, que consiste na coleta de material da lesão de pele. Em alguns casos, a amostra também pode ser retirada do lóbulo da orelha ou do cotovelo. A identificação da bactéria confirma o diagnóstico e define o tempo adequado de tratamento.
Após a confirmação, o paciente inicia imediatamente o tratamento, que, quando feito de forma correta, garante a cura da hanseníase e interrompe a transmissão da doença.
Marco legal – A campanha Janeiro Roxo está amparada por um marco legal vigente. A Lei nº 12.135/2009 instituiu o último domingo de janeiro como o Dia Nacional de Combate e Prevenção da Hanseníase. A partir dessa data, o Ministério da Saúde passou a desenvolver, desde 2016, ações ao longo de todo o mês de janeiro, adotando a cor roxa como símbolo da mobilização nacional para ampliar a visibilidade da causa e fortalecer o enfrentamento à doença e ao preconceito.






