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Dor de cabeça frequente pode impactar sono, trabalho e qualidade de vida

Neurologista explica quando os sintomas exigem avaliação médica e alerta para riscos da automedicação

Crises recorrentes de dor de cabeça, uso frequente de analgésicos e sintomas como enjoo, sensibilidade à luz e dificuldade de concentração fazem parte da rotina de milhões de pessoas. Apesar disso, muita gente ainda adia a procura por avaliação médica e acaba convivendo com dores que podem comprometer a qualidade de vida e até esconder condições mais graves.

Embora o Dia Nacional de Combate à Cefaleia tenha sido celebrado no ultimo dia 19 de maio, o tema continua chamando atenção para um problema que afeta sono, rendimento no trabalho, estudos e até a saúde emocional.

“Mais de 90% dos casos são as chamadas cefaleias primárias, como enxaqueca e cefaleia tipo tensão, que não estão relacionadas a doenças mais graves. Porém, em uma parcela dos casos, a dor de cabeça pode ser o alerta para condições que precisam de investigação”, afirma o neurologista do Hospital São Mateus, Raphael Diniz Ridolfi.

Entre os principais sinais de alerta estão dor súbita e intensa, febre associada, vômitos, alterações visuais, perda de força, fala enrolada, convulsões ou piora progressiva do quadro. Nesses casos, a orientação é procurar atendimento de urgência.

A frequência também deve ser observada. Dor de cabeça que ocorre mais de uma vez por semana, interfere no sono, no trabalho ou exige uso constante de analgésicos já merece avaliação médica, mesmo quando não há sinais graves associados.

Enxaqueca vai além de uma dor comum

Entre os tipos mais conhecidos está a enxaqueca, considerada uma doença neurológica genética e hereditária. Diferente da cefaleia tipo tensão, geralmente mais leve e associada à sensação de pressão ou aperto, a enxaqueca costuma provocar dor pulsátil, moderada ou intensa, além de náuseas e sensibilidade à luz e ao barulho. Segundo o especialista, a condição está entre as principais causas de incapacidade no mundo e impacta diretamente a produtividade, a vida social e a saúde mental dos pacientes.

Fatores como estresse, privação de sono, excesso de telas, sedentarismo e má postura podem desencadear crises, principalmente em pessoas predispostas. Alguns alimentos também podem funcionar como gatilho, como bebidas alcoólicas, embutidos, excesso de cafeína e produtos ultraprocessados.

Automedicação pode piorar o problema

Outro ponto de atenção é o uso excessivo de medicamentos sem orientação médica. Muitos pacientes acabam entrando em um ciclo de automedicação, utilizando analgésicos com frequência cada vez maior para tentar aliviar as crises. “O uso frequente desses medicamentos pode cronificar a dor e tornar o tratamento mais difícil”, afirma o médico.

Crianças e adolescentes também podem apresentar cefaleias, embora muitas vezes os sintomas apareçam de forma diferente dos adultos. Recusa em brincar, necessidade de ambientes escuros, náuseas frequentes e piora após jejum ou esforço físico estão entre os sinais que merecem atenção.

Tratamentos evoluíram nos últimos anos

Os tratamentos para cefaleia avançaram significativamente nos últimos anos, principalmente nos casos de enxaqueca. Hoje existem terapias mais modernas e abordagens individualizadas capazes de reduzir a frequência e a intensidade das crises, melhorando a qualidade de vida dos pacientes.

Além das medicações, mudanças simples na rotina também ajudam na prevenção, como manter horários regulares de sono, hidratação adequada, alimentação equilibrada, prática de atividade física e controle do estresse.

Para Raphael Diniz Ridolfi, a dor de cabeça não deve ser tratada como algo normal ou sem importância. “É uma condição médica real e, na maioria dos casos, tem controle satisfatório quando diagnosticada e tratada corretamente”, conclui.

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