Especialista destaca importância da prevenção de doenças renais e reforça que a doação de órgãos é essencial para ampliar o acesso
Os rins desempenham um papel fundamental para o funcionamento do organismo. Responsáveis por filtrar o sangue e eliminar toxinas, eles ajudam a manter o equilíbrio de diversas funções do corpo. O Dia Mundial do Rim, é celebrado nesta quinta-feira, dia 12 de março, a data chama atenção para a importância da prevenção das doenças renais e marca um momento simbólico para a medicina na região: o primeiro transplante renal realizado no Hospital São Mateus completa um ano.
De acordo com a cirurgiã da equipe de transplante renal e responsável pela captação de órgãos do hospital, Michelli Daltro Coelho Ridolfi, cuidar da saúde dos rins é essencial para evitar complicações que podem comprometer profundamente a qualidade de vida.
“Os rins filtram o nosso sangue e eliminam toxinas. Apesar de termos dois, precisamos cuidar muito bem deles, porque quando a função renal é perdida o paciente passa a depender de uma máquina de hemodiálise, o que impacta diretamente a rotina, o trabalho e a qualidade de vida”, explica.
Prevenção é o melhor caminho
Quando deixam de funcionar adequadamente, os rins deixam de cumprir a função de filtrar o sangue e regular substâncias importantes do organismo. Nesses casos, muitos pacientes precisam recorrer à hemodiálise, um tratamento que depende de uma máquina para realizar a filtragem do sangue e que pode trazer impactos significativos na rotina.
Entre os principais fatores que podem levar ao desenvolvimento de doenças renais estão diabetes, pressão alta, obesidade, colesterol elevado e algumas doenças autoimunes, como os lúpus. Esses problemas podem causar danos progressivos aos rins ao longo do tempo.
Segundo Michelli, algumas medidas simples podem ajudar a preservar a função renal. “Controlar bem a diabetes e a pressão arterial, manter níveis adequados de colesterol, beber bastante água, reduzir o consumo de sal e evitar alimentos ultraprocessados são cuidados importantes para proteger os rins”, orienta.
Além da prevenção, o Dia Mundial do Rim também reforça a importância da doação de órgãos, fundamental para pacientes que aguardam na fila por um transplante.
Um marco para os transplantes na região
Há um ano, o Hospital São Mateus realizou o seu primeiro transplante renal intervivo, quando um familiar doa um dos rins para um parente compatível. Esse tipo de doação pode salvar diretamente a vida de uma pessoa que enfrenta a insuficiência renal.
“Foi um momento muito emocionante para toda a equipe. Esse primeiro transplante foi fundamental para consolidar o programa e mostrar que temos capacidade de realizar esse tipo de procedimento, oferecendo uma nova chance de vida para os pacientes”, relembra a médica.
A implantação do serviço exigiu um longo processo de credenciamento junto ao Sistema Nacional de Transplantes, que avalia desde a equipe médica até a estrutura hospitalar. O processo levou cerca de cinco anos e sofreu impactos durante o período da pandemia.
A importância da doação de órgãos
Outro ponto fundamental para ampliar o número de transplantes é a doação de órgãos. No caso do transplante intervivo, quando um familiar compatível doa um dos rins, é possível salvar diretamente a vida de um parente que enfrenta a doença renal avançada.
Já na doação após a confirmação de morte encefálica, uma única pessoa pode ajudar ainda mais pacientes. Os dois rins podem ser transplantados em pessoas diferentes, permitindo que até duas vidas sejam transformadas por meio da doação.
No Brasil, porém, a autorização da família é indispensável para que a doação aconteça. “A principal causa da baixa doação de órgãos ainda é a recusa familiar. Muitas vezes isso acontece porque a pessoa nunca conversou com a família sobre o desejo de ser doadora. Por isso, é importante falar sobre o assunto”, destaca Michelli Daltro Coelho Ridolfi.
Para quem está na fila aguardando um transplante, a conscientização da população pode fazer toda a diferença. Todos os protocolos de diagnóstico de morte encefálica são extremamente rigorosos e conduzidos com muito respeito. A doação de órgãos salva vidas. Quando uma pessoa decide ser doadora, ela permite que outras continuem vivendo.







