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Parkinson não começa com tremor e pode dar sinais antes do diagnóstico

Especialista alerta para sintomas que vão além do movimento e podem surgir anos antes

O Dia Mundial de Conscientização da Doença de Parkinson é celebrado em 11 de abril de 2026 (sábado), data que marca o nascimento do Dr. James Parkinson, quem primeiro descreveu a condição. O foco é reduzir a lacuna nos cuidados, conscientizar sobre os sintomas (tremores, rigidez) e combater o estigma da segunda doença neurodegenerativa mais comum.

O Dia Mundial de Conscientização da Doença de Parkinson chama atenção para uma condição que, apesar de bastante conhecida, ainda é cercada por dúvidas e, muitas vezes, associada apenas ao tremor. No entanto, o quadro é mais amplo e pode se manifestar de diferentes formas, inclusive antes dos sinais mais clássicos.

Para o neurologista do Hospital São Mateus, Raphael Ridolfi, é importante entender o que acontece no organismo. “A doença é caracterizada pela perda de neurônios que produzem dopamina, substância fundamental para o controle dos movimentos. Com a redução desse neurotransmissor, surgem sintomas como lentidão, rigidez e tremor, que tendem a aparecer de forma progressiva”, detalha.

Embora o tremor seja um dos sinais mais conhecidos, ele não está presente em todos os casos e nem sempre surge no início. A lentidão dos movimentos, chamada de bradicinesia, é o principal sintoma e pode ser percebida em atividades simples do dia a dia, como caminhar, escrever ou realizar tarefas rotineiras.

Sinais que podem passar despercebidos

Além dos sintomas motores, o quadro também pode apresentar manifestações menos evidentes, que muitas vezes surgem anos antes do diagnóstico. Alterações no sono, perda do olfato, constipação intestinal, depressão e mudanças no comportamento estão entre os sinais que podem anteceder o quadro motor.

“A doença não afeta apenas os movimentos. Ela pode impactar o sono, o humor e outras funções do organismo. Por isso, é importante olhar o paciente de forma global e não focar apenas no tremor”, ressalta o especialista.

O diagnóstico é essencialmente clínico, feito a partir da avaliação do neurologista, da história do paciente e do exame físico. Como a evolução costuma ser lenta e os sintomas iniciais podem ser sutis, muitas vezes há demora na identificação.

Mais comum após os 60 anos, o quadro também pode surgir em pessoas mais jovens, embora isso seja menos frequente. De acordo com a Organização Mundial da Saúde (OMS), mais de 8 milhões de pessoas vivem com a condição no mundo. Fatores genéticos e exposição a algumas substâncias ambientais podem estar associados ao desenvolvimento, mas, na maioria dos casos, não há uma causa única definida.

Apesar de ainda não ter cura, o problema conta com diversas opções de tratamento que ajudam a controlar os sintomas e preservar a qualidade de vida. O uso de medicamentos, aliado a acompanhamento médico regular e terapias de reabilitação, permite que muitos pacientes mantenham autonomia por longos períodos.

A prática de atividade física, fisioterapia e acompanhamento multiprofissional também têm papel fundamental no cuidado. Essas abordagens contribuem para melhorar o equilíbrio, a mobilidade e a funcionalidade no dia a dia.

Para o neurologista, a informação é essencial para reduzir o impacto do quadro. “Receber o diagnóstico pode ser difícil, mas não significa perda imediata de independência. Com tratamento adequado e acompanhamento, é possível manter qualidade de vida e funcionalidade por muitos anos”, reforça Ridolfi.

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