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Novas operações na Câmara evidenciam Juca do Guaraná como único presidente livre de escândalos

Contraste se intensifica diante do atual cenário, em que a Operação Gorjeta colocou novamente o Legislativo cuiabano no centro das investigações

Em meio a mais um capítulo turbulento na história recente da Câmara Municipal de Cuiabá, o nome do deputado estadual Juca do Guaraná (MDB) surge como exceção em uma linhagem marcada por escândalos, investigações e condenações judiciais. Presidente da Casa no biênio 2021-2022, ele foi o único, nas últimas duas décadas, a concluir o mandato sem qualquer operação policial, denúncia formal ou mácula administrativa, além de ter as contas aprovadas sem ressalvas pelo Tribunal de Contas do Estado (TCE-MT).

O contraste se intensifica diante do atual cenário, em que a Operação Gorjeta colocou novamente o Legislativo cuiabano no centro das investigações. O vereador Chico 2000, que presidiu a Casa entre 2023 e 2024, está afastado judicialmente e se tornou alvo de três operações em menos de um ano.

Para Juca do Guaraná, o retorno das viaturas policiais ao Palácio Paschoal Moreira Cabral representa um retrocesso institucional. Ele relembra que assumiu a presidência sob o estigma da chamada “Casa dos Horrores”, apelido que ganhou força após uma sequência de escândalos que envolveram antigos dirigentes.

“É lamentável. Assumimos com o desgaste que a Câmara já tinha, de ‘Casa dos Horrores’. Graças a Deus, na nossa gestão não teve nenhuma operação e as contas foram aprovadas sem ressalvas pelo Tribunal de Contas”, afirmou o deputado.

A história recente da Câmara é marcada por episódios que abalaram a confiança da população. Presidentes como Luthero Ponce, Chica Nunes, Deucimar Silva e João Emanuel tiveram mandatos atravessados por denúncias de desvios milionários, fraudes em licitações, superfaturamento e até flagrantes que ganharam repercussão nacional. Em 2009, a indignação popular chegou ao ponto de manifestantes levarem baldes e vassouras para “lavar” simbolicamente o prédio da Casa.

Nesse cenário, a gestão de Juca representou uma ruptura. Além da aprovação das contas sem qualquer ressalva do TCE, ele encerrou o mandato sem investigações ou questionamentos judiciais. O feito ganhou ainda mais relevância pelo contexto histórico da instituição.

O próprio deputado destaca que sua passagem pela presidência também quebrou um paradigma político. “Falava-se que havia 20 anos que a Câmara não elegia um presidente como deputado estadual. Quebramos esse paradigma”, ressaltou.

Após deixar o comando do Legislativo municipal, Juca foi eleito deputado estadual, consolidando sua trajetória política sem que sua gestão à frente da Câmara tivesse sido associada a qualquer escândalo. Em uma Casa onde o cargo de presidente passou a ser visto como um “trono de vidro”, cercado de riscos jurídicos e desgaste público, sua administração passou incólume.

Entre 2003 e 2024, praticamente todos os presidentes da Câmara enfrentaram algum tipo de denúncia, investigação ou condenação. Houve casos de cassação, prisões, acordos judiciais e processos por improbidade administrativa. O histórico contribuiu para a deterioração da imagem institucional do Parlamento municipal.

A gestão de 2021-2022, no entanto, destoou desse padrão. Sem operações policiais, sem denúncias de desvio e com parecer favorável do órgão de controle externo, Juca do Guaraná deixou a presidência com a imagem associada à estabilidade administrativa e ao cumprimento das normas legais.

Em um momento em que a Câmara volta a enfrentar questionamentos públicos e crise de credibilidade, o ex-presidente aparece como referência recente de normalidade institucional. Sua passagem pelo comando da Casa tornou-se um ponto fora da curva em um histórico marcado por turbulências, e um exemplo de que é possível exercer a presidência do Legislativo cuiabano sem carregar, ao final do mandato, qualquer mácula jurídica ou administrativa.

Fonte: Estadão Mato Grosso – estadaomatogrosso.com.br

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