Abílio diz que não fará lockdown e propõe volta às aulas de forma mista

Candidato pediu que a sociedade compareça às urnas no domingo, 29 de novembro, para “arrancar o paletó”

Candidato a prefeito de Cuiabá, Abílio Júnior (Podemos), afirmou nesta terça-feira (24.11) que, caso seja eleito, não irá adotar o lockdown na capital. Segundo ele, apesar de as infecções pelo novo coronavírus terem a tendência de aumentar nos próximos dias, o comércio precisa funcionar.

Ele atribui os novos casos da doença à própria campanha eleitoral e ao fato de que o isolamento e distanciamento social não estarem sendo respeitados pela sociedade. O candidato declarou ser favorável à volta às aulas municipais, mas de forma facultativa. Ou seja, os pais devem decidir se mandam os filhos para a escola ou se preferem manter o ensino a distância.

Abílio avaliou que o eleitor que não comparecer para votar no pleito do dia 29 de novembro poderá ter mais prejuízos do que apenas a multa cobrada pela Justiça Eleitoral. Em tom de apelo, ele pediu que a sociedade compareça às urnas para “arrancar o paletó”.

No primeiro turno em 15 de novembro, foram 378.097 eleitores aptos a votar, dos quais 16.169 pessoas, que correspondem a 5,48% do eleitorado, votaram nulo, e 9.881 votaram em branco, o que dá 3,35% dos aptos a votar. Foram computados 268.811 votos válidos. O índice de abstenção foi 83.236 pessoas que não compareceram (22,01% do total do eleitorado).

Em entrevista à Rádio Capital, o candidato falou por mais de uma hora sobre suas propostas, avaliações do mandato atual, ataques pessoais que vem sofrendo durante o processo eleitoral e também citou seu veto a veículos de comunicação. Segundo Abílio, há empresas de jornalismo na capital que são corruptas e a esses ele não dará entrevista, mesmo sendo eleito.

Confira alguns trechos da entrevista 

Lockdown

“A covid não acabou, não tem vacina e só por causa do período eleitoral que as coisas estão como se tivesse acabado. Os bares lotados, tudo está cheio e as campanhas eleitorais, reuniões políticas lotadas e tudo mais. Mas eu não pretendo fechar a cidade. Tem muito dinheiro que pode ser investido para ajudar as pessoas. Um protocolo precoce se mostrou muito eficaz, assim que abriu a Arena Pantanal os números diminuíram radicalmente. A ação do Governo do Estado foi que parou a covid em Cuiabá. Estava em alta e a Arena mudou a realidade de Cuiabá”.

Volta às aulas

“Precisa criar uma forma mista, porque eu vejo que o assunto está muito dividido. Aquele aluno que os pais se sentem confortáveis em mandar pra escola, vai. E aquele que preferir assistir as aulas online, poderá. Por que não? Por que todo mundo tem que ir? Tem que ter essa discussão com os pais. Tem que transferir para o professor, para o pai do aluno a escolha se seu filho vai para a escola ou não. Se voltar às aulas os pais vão se sentir coagidos a mandar os filhos para a escola, senão o Conselho Tutelar vai lá bater na porta de casa porque ele não quis mandar o filho para a escola. Ao momento que sentir mais segurança, volta todo mundo”.

Ataques e fakenews

“Primeiro eles tentaram achar alguma coisa que pudesse me tachar de corrupto, e não tem nada. Tentaram até achar um relacionamento pra mim, mas eu não faço nada, partiram para o lado da ofensa à minha fé. Isso eu achei muito desrespeitoso. O meu avô [pastor Sebastião Rodrigues de Souza – líder já falecido das Assembleia de Deus em Mato Grosso] não está mais aqui pra ele poder desmentir. Falar que a igreja é corrupta é falar do meu avô, que durante todo esse tempo esteve à frente administrando e isso todo mundo sabe que não é real”.

“Falaram muitas coisas, ao ponto de chamar o Grande Templo de motel. O nível baixou demais e eu nunca fiz isso. Eu nunca falei da igreja Católica do Emanuel, e quando ele partiu para esse nível eu senti o desrespeito. Eu tenho preservado a igreja [Assembleia de Deus] e acredito que ela não deve se envolver em política, não vai entrar nessa guerra. E já falei para alguns pastores que eu sinto muito pelo constrangimento”.

Vale tudo

“Tem membros da igreja que receberam propostas da equipe do Emanuel para gravar um depoimento contra o Abílio. Eles estão pagando para isso. Chegaram em parentes meus, um primo meu. Às vezes chega em um irmão que está passando dificuldade, chega e oferece R$ 5 mil ou R$ 10 mil, o cara vai e grava”.

“Pensam que não tem consequência, mas a gente vai processar ele. Vai ser depois das eleições, vai ser na Justiça, vai pagar todo dano moral que causou. A gente ganhou todas as propagandas caluniosas na Justiça, mas no whatsapp você não consegue tirar os fakenews”.

“Eu nunca falei da esposa do Emanuel. Ele tem dois filhos, um é político e outro não é. Nunca falei nada do que não é político, não falo do pai, da mãe, nenhum parente dele. Um monte de gente me traz histórias podres, difíceis, da família dele e eu não falo. Vou envolver uma pessoa que não está participando do processo eleitoral? Contar uma história que talvez não seja verdade? Vou contar história do pai do Emanuel, que já morreu? Não vou baixar a esse nível”.

Veto à imprensa

“Alguns veículos de comunicação eu escolhi não falar. É correto quando você percebe que não são só veículos de comunicação, mas cúmplices de uma gestão corrupta. Esses veículos estão minando os recursos públicos, tirando vantagem da Secretaria de Comunicação e esses veículos, realmente, não merecem receber um centavo da Prefeitura. Eles blindam uma gestão corrupta e eu não vou dar entrevista para esses veículos. É uma escolha pessoal, é um direito que eu tenho”.

“Eu estou político, mas eu também tenho sentimentos. Uma pessoa chegar na minha frente e fazer pegadinha para me prejudicar moralmente, é claro que está agindo de má-fé, e eu vou responder à altura. Não é uma questão de fazer a linha Bolsonaro, porque o Ciro Gomes faz isso e ninguém fala se é esquerda ou direita. É uma questão de posicionamento político. O Bolsonaro faz isso, é de direita e o Ciro é de esquerda”.

Abstenções

“Tem os que não foram por medo da pandemia e isso é compreensível, mas quem não foi porque prefere pagar a multa, essa multa pode ser bem mais caro do que os R$ 3,08. Porque você pode pagar essa multa por quatro anos e dependendo do prefeito, que está envolvido em escândalo de corrupção, vergonha nacional, esse pode ser o seu prefeito pelos próximos anos”.

“Se já teve escândalo de quatro secretários afastados por corrupção: dois na área da Saúde e dois na área da Educação, imagina o que ele não fazer no segundo mandato, que ele não está mais preocupado com a reeleição? No primeiro mandato, ele estava preocupado em fazer alguma coisa para garantir a reeleição depois do vídeo do paletó. Ele queria ser reeleito depois de todo aquele escândalo para provar pra Cuiabá que se o prefeito faz algo errado e faz alguma coisa, o povo ignora o ato errado”, disse ele.

Fonte: PNB Online (Por Ana Adélia Jácomo – pnbonline.com.br)

Deixe uma resposta