Marcos Valério: despesas de Lula eram pagas com dinheiro de corrupção

O promotor também perguntou sobre as relações financeiras do empresário com o governo e com o ex-presidente Lula (ouça o áudio em www.veja.com):

“— O caixa que o senhor administrava era dinheiro de corrupção?”
“— Caixa dois e dinheiros paralelos de corrupção, propina e tudo.”
“— Do Governo Federal?”
“— Sim, do Governo Federal.”
“— Na Presidência de Lula?”
“— Na Presidência do presidente Lula.”
“— Pagamentos para quem?”
“— Para deputados, para ministros, despesas pessoais do presidente, todo tipo de despesa do Partido dos Trabalhadores”.

No depoimento, Valério reafirmou sua intimidade com o presidente Lula. Ele contou que esteve mais de uma centena de vezes no Palácio do Planalto para encontros com o presidente e com o então todo poderoso ministro-chefe da Casa Civil, José Dirceu. Foi em um desses encontros que Dirceu lhe teria pedido para resolver o problema da chantagem que estaria sofrendo por conta do caso Celso Daniel. Foi também em um desses encontros que Lula teria lhe agradecido por ter resolvido o problema.

Se Valério estiver dizendo a verdade — e é isso que as novas investigações se propõem a descobrir —, a morte do prefeito teria o objetivo de esconder que a prefeitura de Santo André funcionava como uma gazua do PT para financiar não só as campanhas políticas mas a boa vida de seus dirigentes, incluindo Lula. A morte de Celso Daniel, portanto, poderia ter sido realmente uma queima de arquivo. Irmãos do prefeito assassinado concordam com essa tese e sempre defenderam a ideia de que a possível participação de petistas no crime deveria ser apurada. O novo depoimento, embora não traga uma prova concreta, colocou mais fogo numa velha história.

Fonte: veja.com (Por Hugo Marques – Ouça o áudio na integra em www.veja.com)

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