O não ao novo, ou tratar a nova era tecnológica como aliada

*Por Herlen Koch

Desde pequena escrevo, enumeras linhas, poemas que o tempo levou, como paixões que terminam, contos escritos, e deixados na gaveta, como se aguardassem um pó de fada para fazê-los reais. Sonhos transcritos, com pitadas de sal e açúcar.

Mas, após, na fase adulta, se vem a linha do tempo obrigatória: fazer, ter e crescer. Veio então a Advocacia como o Norte, como o rumo a ser seguido, o caminho traçado. E a profissão de advogado toma tempo, se deve em muito estudar, e nestes mais de vinte anos de advocacia, notei – como boa observadora que sou – que as pessoas também existem além dos processos, das folhas e dos estudos. E as pessoas precisam de atenção também.

E depois de anos nessa dinâmica, uma nova ocorrência: a tecnologia chegou. A tecnologia abrangente, eficaz e disposta a colocar medo em várias áreas e profissionais, e, a notícia começou a se espalhar, será que o advogado será substituído? Terminamos? Seria a extinção e uma nova era?

Processos físicos sendo transformados em arquivos virtuais, e a dinâmica de audiências pelo celular. Meu Deus e agora?

Busco uma segunda formação, faço cursos de processos virtuais, atendimentos por vídeos chamadas, e depois de tudo isso, fico em choque e paralisada ou faço uma revisão da minha vida?

E isto tudo começou a aumentar a tensão interna silenciosa, mas pretenciosa, de que seria simplesmente deixada de lado? Obsoleta? Antiquada? Afinal venho na era da máquina de escrever.

Como posso me diferenciar?

Então, com estudo, análises, e, muita pesquisa, entendi que eu poderia ter a nova era tecnológica como minha aliada, e não como minha carrasca de fim de jornada.

Assim, eu tive a percepção que o avanço se daria com a minha adaptação aos novos tempos: com o desenvolvimento de habilidades, como as Soft Skill . Se observar o medo de substituição do homem pela máquina, voltamos a era da revolução industrial onde o medo era devastador, aterrorizando e se espalhava como um rastinho de pólvora.

E assim, entendi que o meu desenvolvimento seria a única saída, fiz programação neurolinguística, psicanálise, formação em humanoterapeuta, palestrante, aprendi a arte da comunicação, empatia, habilidades interpessoais e comportamentais, como a inteligência emocional e resolução de problemas, tudo isso alinhado ao conhecimento técnico, e diante de tudo isso: o senso crítico.

Se eu consigo trabalhar com a máquina, eu consigo entender e caminhar, e não ficar para trás.

Se você faz uma pergunta ao ChatGPT, ele te dará uma bela resposta, mas se você souber fazer uma pergunta mais elaborada e detalhada, usando sua expertise como profissional, o ChatGPT lhe dará outra resposta, e como um profissional experiente, você conseguirá ainda, ver as lacunas, entender as entrelinhas, e fazer as complementações necessárias e superar as deficiências da inteligência artificial, pois, a resposta da máquina – não apresenta todos os pontos de vistas – que um olhar de um profissional experiente e sagaz possui.

Assim, inteligência é se unir a máquina – já que ela é mais rápida, é evidente, mas que o seu olhar, sua experiência e criticidade sob o ponto de vista da maturidade profissional, consegue direcionar a máquina ao ponto desejado. E assim está feito o enlace do complemento e da junção da inteligência artificial e do advogado.

E para se alcançar um nível ainda mais estratégico e de desenvolvimento de habilidades, somente conseguirá com muito estudo e dedicação, e com a flexibilidade para o novo. Abra-se assim, como um dia uma criança abre um presente no dia do aniversário, com o olhar brilhante, e a cabeça pronta ao novo.

De tudo isso, a motivação ao novo, e diante dos desafios da vida, a mente tem que aceitar que não se pode acomodar. E sempre há tempo, para apreender o novo, e ser a sua melhor versão.

Diante de tudo isso, lancei o Livro: A Inteligência Artificial e o Homem Advogado, pela Editora Viseu, este livro aborda que o advogado deve estar pronto para atuar nesse cenário em transformação, que exige flexibilidade, atualização e preparo profissional. Mais do que isso, precisa compreender os impactos da IA nas práticas jurídicas e saber como utilizá-la em benefício próprio e da sociedade.

A inteligência artificial, em sua essência, é a capacidade criada pelo homem de fazer a máquina pensar, organizar, responder e até aprender, como se tivesse um raciocínio próprio — ainda que não carregue em si a alma, a emoção ou a sensibilidade do ser humano. Como advogada, percebo que ela não veio para tomar o meu lugar, mas para me estender a mão no excesso de prazos, na pesquisa incessante de jurisprudência, na organização dos processos e na análise de informações que antes me consumiam horas. É como se eu tivesse uma assistente incansável, veloz e precisa, mas que precisa ser guiada pela bússola do meu olhar crítico, da minha experiência de duas décadas e da sensibilidade que apenas o ser humano possui. Assim, eu não temo a inteligência artificial: eu a convido para a minha mesa de trabalho, como quem convida uma aliada a dividir o peso da jornada.

*Herlen Koch – Advogada e Escritora – Instagram: @herlen_koch

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