MT tem subnotificação de casos provocados pelo Aedes aegypti

Diversos municípios deixaram de notificar os casos suspeitos de dengue, zika e chikungunya, doenças provocadas pelo mosquito Aedes aegypti. Porém, o que era para ser positivo preocupa as autoridades públicas de saúde. Isso porque Mato Grosso é um estado endêmico em que há a possibilidade de a população ser afetada de forma drástica caso não haja a notificação dos casos. O alerta é da Vigilância Epidemiológica da Secretaria de Estado de Saúde (Ses-MT).

Outro problema enfrentado é a automedicação. “A automedicação por parte da população não passa pela notificação oficial e esse é um costume que coloca em risco a vida do paciente infectado pelo vírus. O profissional de saúde, especialmente o médico, precisa ter o olhar atento aos sintomas clínicos e acompanhar de perto a evolução do quadro de saúde do paciente – sem menosprezar a suspeita, não banalizando os casos e atribuindo a causa a uma virose simples”, alertou o gerente do Controle de Vetores e Zoonoses da Ses-MT, Sandro Luiz Netto.

Preocupações como estas foram expostas durante uma oficina de capacitação, realizada nesta semana, em Cuiabá. Na oportunidade foi discutido o Plano Regional de Contingência da Dengue, Zika e Chikungunya. Participaram do encontro técnicos da Vigilância Epidemiológica da Ses-MT, dos 16 Escritórios Regionais de Saúde, da atenção básica e primária, da Unidade de Regulação estadual, Laboratório Central do Estado (Lacen), além de profissionais da Vigilância da capital e de Várzea Grande.

Por meio da assessoria de imprensa, a coordenadora da Vigilância Epidemiológica do Estado, Alessandra Moraes, destacou que o projeto faz parte do Plano de Trabalho Anual (PTA) de 2019/2020, elaborado pela Ses e que tem como objetivo realinhar as ações conjuntas entre as unidades de saúde pública. “Para combater essas doenças não é possível agir de forma isolada; cada unidade precisa trabalhar de maneira articulada para evitar que esses vírus provoquem epidemias e aumentem o risco de morte entre a população”, frisou.

Alessandra Moraes explicou que, ainda que, a partir da notificação de um caso, mesmo que suspeito, a Vigilância Epidemiológica emite alerta e desencadeia uma série de ações de bloqueio do vírus no ambiente onde o paciente reside. Sem a notificação, a doença passa a ser tratada de forma comum e sem a devida importância que requer. “A Vigilância Epidemiológica tem os critérios técnicos estabelecidos para agir em cada situação, porém, a ausência da notificação omite o cenário real e isso mascara um possível surto epidemiológico”, frisou.

Ainda por meio da assessoria, a Ses lembrou que, no ano de 2018, o uso do fumacê, um recurso técnico usado em caso de dengue severa, ocorreu em Várzea Grande, em ação conjunta entre o órgão estadual e a secretaria Municipal de Saúde (SMS) do município. Segundo os especialistas da Vigilância Epidemiológica da Saúde estadual, o uso do fumacê depende da notificação de casos, principalmente quando há registro de quadro grave e de óbito, além do registro da quantidade de imóveis que possuem o criadouro do mosquito transmissor das doenças.

Esses critérios precisam ser observados pelos municípios e profissionais da saúde pública. “O fumacê é uma forma de combate ao vírus do mosquito que deve ser usado de maneira complementar e o sinal de alerta para o seu uso é a notificação de casos, ou seja, quando o registro está acima da média histórica do município”, esclareceu Luiz Netto.

Fonte: DC

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