Após fim do programa de subsídio, Petrobras anuncia aumento do preço do diesel

Subsídio instituído por Temer garantiu o fim da greve dos caminhoneiros, que paralisou o País e expôs deficiências do transporte brasileiro; veja novo preço

Preço do diesel volta a subir após fim do programa de subsídio, responsável por encerrar a greve dos caminhoneiros
Tânia Rêgo/Agência Brasil – 25.5.18

Preço do diesel volta a subir após fim do programa de subsídio, responsável por encerrar a greve dos caminhoneiros

A Petrobras anunciou nesta segunda-feira (31) que o valor médio do preço do diesel nas refinarias subirá 2,5% a partir de 1º de janeiro, após o fim do programa de subsídio instituído por Michel Temer para atender aos caminhoneiros, em greve nacional à época.

Com o aumento, o preço do diesel  nas refinarias será de R$ 1,8545 por litro, e a estatal petroleira informa que o novo preço é 11,75% menor em relação ao de 31 de maio de 2018, que era de R$ 2,1016 por litro, o último valor médio antes do início do programa governamental.

O subsídio foi determinado como forma de controlar o preço do diesel e assim cessar a greve dos caminhoneiros que parou o Brasil, afetando o abastecimento de alimentos, combustíveis e muitos outros produtos, prejudicando a economia e o crescimento do Produto Interno Bruto (PIB) em 2018.

“Com o ajuste anunciado hoje, há uma queda de 2,1% em 12 meses no preço médio do diesel comercializado pela Petrobras. Este preço médio do diesel informado hoje também é R$ 0,1771 menor, representando redução de 8,7%, em relação ao primeiro valor estabelecido no âmbito da subvenção, que foi de R$ 2,0316, praticado em 1/6/2018”, disse a empresa em nota.

Na sexta-feira (28), a diretoria da Petrobras aprovou um aparato que permitirá a manutenção da cotação do produto estável nas refinarias por um período de até sete dias em momentos de elevações significativas de preço.

O que foi o programa de subsídio e o que esperar do preço do diesel em 2019?

Roberto Castello Branco, presidente da Petrobras nomeado pela nova equipe econômica, deve fazer o preço do diesel variar seguindo o mercado internacional
José Cruz/Agência Brasil

Roberto Castello Branco, presidente da Petrobras nomeado pela nova equipe econômica, deve fazer o preço do diesel variar seguindo o mercado internacional

Estabelecido em junho, após o governo fechar um acordo com caminhoneiros para encerrar os protestos que paralisaram o país, o programa de subsídio ao diesel determinou o congelamento do preço naquele mês a R$ 2,0316 por litro, tanto para a Petrobras quanto para outros agentes participantes do programa, como alguns importadores.

As empresas que aderiram ao plano precisavam praticar preços estipulados pelo governo e passariam a ser ressarcidas em até 30 centavos por litro, dependendo do cenário de preços externos.

Desde então, cinco atualizações foram feitas: no final de agosto, a alta ficou em até 14,4%; em setembro, foi de 2,76%; no mês de outubro outubro, os preços de referência foram reduzidos em até 10,44%; em novembro, foi determinada redução de até -15,59%, válida até 15 de dezembro; e, na última atualização, em vigor desde o último dia 16, foi determinada queda de até 2,42%.

A previsão inicial do governo era gastar R$ 9,58 bilhões até o final deste ano com o subsídio ao diesel, e ainda não foi divulgado um balanço oficial de como a gestão distribuiu os recursos.

Em 2019, a Petrobras será presidida por Roberto Castello Branco , economista e ex-membro do conselho administrativo da empresa. Ele foi indicado pelo futuro ministro da economia, Paulo Guedes, ao presidente eleito, Jair Bolsonaro (PSL), que acatou.

A expectativa é de que o preço dos combustíveis volte a acompanhar as variações do mercado internacional , assim como tentou implementar Pedro Parente, ex-presidente da estatal, que se demitiu logo após o início do programa de subsídio.

Neste ano, a variação de acordo com os aumentos e reduções internacionais foi um dos estopins da greve dos caminhoneiros, uma vez que a maior liberdade causou uma série de aumentos no preço dos combustíveis e exigiu que o governo intervisse, determinando a subvenção, que se encerra em 2018.

Marcia Fleire Pedroza, do Departamento de Economia da PUC-SP, avalia que “Quando se atrela a política de preço às políticas internacionais, as variações são em cima de moedas internacionais. Não só o petróleo aumentou em termos internacionais como também o real se desvalorizou frente ao dólar. Então, por consequência, os preços são repassados para o preço nacional quando você usa essa política”, ou seja, a tendência é que o preço do diesel e da gasolina volte a variar com mais frequência, com a maior liberdade do mercado.

Fonte: IG economia

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