Sexta-feira foi o pior dia de Bolsonaro até agora

Estadão Conteúdo

*Por Marco Antonio Villa

O presidente eleito, Jair Bolsonaro (PSL), precisa dar uma resposta rápida
O final dessa semana terminou mal para o governo. Ele estava caminhando bem, resolvendo questões complexas e positivas, mas sexta-feira foi o pior dia de Bolsonaro antes de ele assumir o cargo de presidente da República, desde 28 de outubro.

De um lado, tem esse episódio que envolve pessoas próximas a Flávio Bolsonaro, o motorista que teve movimentações financeiras muito acima do que ele recebe. Por outro, o cheque depositado na conta de Michelle Bolsonaro.

Tem também o fato de que essa questão envolve o ex-juiz federal Sergio Moro. Todos os olhos da nação estarão concentrados em Moro, em fatos como esse ou em outros que eventualmentee ocorram a partir de 1° de janeiro.

Quanto mais cedo Bolsonaro explicar, melhor. A melhor forma é a transparência. Caso contrário, o presidente começa o governo desgastado, o que pode trazer reflexos para a economia.

Outro ponto que também acabou mal essa semana foi o PSL. A briga pela liderança do partido criou situação terrível. Isso porque é o partido do presidente e a segunda maior bancada da Câmara dos Deputados — que poderá ser a primeira com a migração de deputados. Foi uma briga de nível de botequim, a partir das 3 horas, quando todos já estão bêbados.

Eu já havia escrito em artigos publicado na imprensa que a renovação poderia trazer, em seu interior, gente que não está qualidaficada para o exercício de funções legislativas. E parece que é o que está acontecendo.

A bancada de 52 parlamentares na Câmara deve-se a uma pessoa: Jair Bolsonaro. No Senado, a uma pessoa: Jair Bolsonaro. As pessoas votaram nos parlamentares não porque eles eram conhecidos, mas porque eram do candidato com quem elas tinham identificação.

Cabe, agora, ao presidente dar ordem unida, dar murro na mesa e por ordem no seu partido. Se ele não consegue organizar seu partido, como vai organizar o governo? E vai ser muito difícil organizar o partido porque grande parte das pessoas não têm experiência alguma no mundo político de Brasília — pois a capital federal não é São Paulo, nem estado X, Y ou Z.

Esses novos deputados e senadores não sabem o funcionamento do Congresso Nacional e não entendem do jogo político, da importância de se ter uma base de sustentação para o governo aprovar os projetos de lei e as eventuais Propostas de Emendas à Constituição (PEC). O PSL não é partido, é um amontado de gente que foi eleito graças a Bolsonaro.

Em relação ao futuro ministro da Casa Civil, Onyx Lorenzoni, ele não pode se retirar de coletiva de imprensa por causa de uma pergunta. Ele tem que responder, tem que mostrar autoridade antes de assumir, se não, assume já fragilizado.

Se não tem nada a esconder, responda à luz do sol do meio dia.

O governo precisa entender que ainda é um presidente eleito, que não tomou posse, e que esse tipo de pressão por parte de opositores ou por parte da imprensa é algo comum e rotineiro. Cabe às autoridades responder as acusações — ou supostas acusações — que pessam sobre qualquer personagem que tenha participação do no governo.

Intervenção federal em Roraima

A intervenção federal em Roraima, anunciada nesta sexta-feira é mais que necessária. Roraima está sob controle do crime organizado e vive um verdadeiro caos.

Foi um erro da Assembleia Nacional Constituinte ter dado autonomia para antigos territórrios, como Roraima. Ele não tem condições de se autogerir em todos os sentidos: não só no sentido econômico, como também no sentido político.

O presidente Michel Temer fez nesse caso o que não teve coragem de fazer no Rio de Janeiro, onde também deveria ter sido tirado o governo estadual. Mas um governo fraco, de um presidente fraco, não teve coragem naquele tempo — até porque envolvia a conjuntura eleitoral. Mas, em Roraima, cabe também a intervenção porque está no final da gestão.

O interventor, futuro governador Antonio Denarium (PSL), terá muitas dificuldades.

Fonte: Jovem Pan

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