Dobra número de cuiabanos diabéticos, aponta órgão

Apesar de poder ser controlada com medicamentos e cuidados com alimentação, a patologia pode causar vários efeitos colaterais.

Número de diabéticos em Cuiabá aumentou 52,6% entre 2006 e 2017, apontam dados da Vigilância de Fatores de Risco e Proteção para Doenças Crônicas por Inquérito Telefônico (Vigitel) em cinco anos. E este crescimento alarmante é basicamente devido às mulheres que em 2006 tinham um percentual de 3,8% que referiram diagnóstico da doença e no ano passado o índice passou para 7,3%. Ou seja, aumento de 92,1%. Entre os homens, o percentual passou de 3,8% para 4,2% no mesmo período (7,6% a mais).

Apesar de poder ser controlada com medicamentos e cuidados com alimentação, a patologia pode causar vários efeitos colaterais.

Dia 14 de novembro foi o Dia Mundial do Diabetes, data criada em 1991 pela International Diabetes Federation (IDF), como forma de alertar sobre a doença. Conforme dados da IDF, 13 milhões de brasileiros convivem com a patologia e a maioria não sabe da existência. Médica endocrinologista há 35 anos, Dalva Alves das Neves, 60, explica que os cuidados para prevenir o desenvolvimento do diabetes é simples, consistem em manter uma vida saudável por meio de alimentação e exercícios físicos. Além disso, é importante estar alerta e fazer exames regulares para descoberta precoce.

“É uma doença silenciosa e quando apresenta sintomas está muito agravada no organismo. É importante as pessoas manterem uma vida saudável, com alimentação equilibrada e exercícios físicos regulares para fugir do sedentarismo. Quem tem caso de pessoas com diabetes na família precisa esta mais atento, pois o tipo 2, mais comum da doença, é hereditário”, explica a médica.

Outra indicação da especialista é que é indispensável que o paciente aceite o diagnóstico e de imediato inicie o tratamento e cuidados. “Muitos que são diagnosticados não querem aceitar, não se cuidam diariamente e sofrem com outros agravos gerados pela doença. É uma mudança na rotina necessária para uma vida normal. Precisa fazer o uso dos medicamentos indicados pelo médico, mudar alimentação, se exercitar, porque é muito doloroso o que o diabetes pode causar por meio dos seus efeitos colaterais”, alertou.

Administrador de empresas, Gilson Nasser, 56, descobriu que estava com diabetes aos 48 anos. Ele conta que mudou os hábitos alimentares para viver melhor. “Não como mais arroz, feijão, carne vermelha e diversas outras coisas. Hoje mantenho uma alimentação mais saudável possível, faço minhas caminhadas e tomo a medicação corretamente”.

Nasser sofreu alguns efeitos colaterais da doença como dificuldades para enxergar e desenvolvimento de cirrose. Atualmente, aguarda um transplante de fígado. “Eu pesava 141 quilos e tentei fazer uma cirurgia bariátrica para diminuir meu peso, porém não foi possível devido à constatação dessa cirrose. Estou na fila aguardando por um transplante e continuo cuidando para não ter mais complicações. A visão há dois anos estabilizou”, contou.

Tipos de diabetes O diabetes é dividido em grupos. O mais comum é o tipo 2, que afeta cerca de 90% das pessoas que possuem a doença. Não é transmissível e além de hábitos saudáveis, o Ministério da Saúde alerta para o uso em excesso de álcool, tabaco e drogas, que também contribuem com o aparecimento da doença.

O tipo 1 é hereditária e concentra entre 5% e 10% do total de diabéticos no Brasil. É o tipo que surge geralmente na infância ou adolescência, mas adultos também estão sujeitos ao diagnóstico.

O tipo 2, mais comuns em adultos obesos, sedentários e com má alimentação. Em alguns casos pode ser controlada somente com exercícios físicos e mudanças de hábitos alimentares, mas não é descartado tratamento com medicamentos.

Diabetes Latente Autoimune do Adulto (Lada) desenvolve um processo autoimune do organismo, que começa a atacar as células do pâncreas. É um dos agravos de diabetes tipo 2.

A diabetes gestacional afeta entre 2% a 4% das gestantes, de acordo com a International Diabetes Federation (IDF), mas é temporário. O principal motivo são as mudanças hormonais da gravidez que podem aumentar as taxas de açúcar no sangue.

A endocrinologista Dalva Neves aconselha que em todos os casos é necessário a consciência do diagnóstico e cuidados a serem tomados. Especificamente sobre diabetes gestacional é preciso tomar cuidado, pois pode afetar o bebê.

“Os diversos tipos podem ter efeitos colaterais graves. Podem atingir a visão, rim, aumenta probabilidade de Acidente Vascular Cerebral (AVC) e outras doenças. Na gestação os cuidados são com a alimentação, evitar ganhar muito peso e acompanhar o bebê, pois entra no crivo de pessoas em alerta, bem como quem tem casos na família”, orienta.

Existe também o pré-diabetes, quando os níveis de glicose no sangue estão mais altos do que o normal. Conforme a endocrinologista, é uma espécie de alerta que o corpo transmite. É mais comum em obesos, hipertensos e/ ou pessoas com alterações nos lipídios. Ministério da Saúde aponta que 50% dos pacientes que têm o diagnóstico de prédiabetes, mesmo com as devidas orientações médicas, desenvolvem a doença para o tipo 1 e 2.

Diagnóstico

O diagnóstico do diabetes é feito por um simples exame de sangue. Com uma gotinha, retirada de um dos dedos da mão, é possível ver se há alguma alteração na taxa de glicemia. Esse teste inicial leva, no máximo, três minutos para mostrar o resultado. Se for identificada uma alteração considerável, o médico solicitará outros exames clínicos e laboratoriais mais profundos e detalhados.

Fonte: GD (Ana Sampaio)

Powered by WP Bannerize

Deixe uma resposta