Por que é tão importante explorar o solo de Marte?

Estudando o interior de Marte: NASA envia sonda ao planeta vermelho para investigar as origens do Sistema Solar

Impressão artística da sonda InSight perfurando a superfície de Marte.
Nasa/JPL-Caltech

Impressão artística da sonda InSight perfurando a superfície de Marte

Após uma longa viagem de quase sete meses, a sonda InSight da NASA finalmente chegou a Marte . Foi um período de grandes expectativas, com direito a transmissão do pouso ao vivo pela internet. No entanto, para os pesquisadores, a brincadeira está apenas começando.

Ao longo dos próximos dois anos, a sonda norte-americana será a primeira da história a investigar o interior do planeta vermelho. O veículo conta com instrumentos avançados tais como um sismógrafo (para medir terremotos e vibrações no solo causadas pelo impacto de meteoros) e um calorímetro, que atingirá uma profundidade de cinco metros para medir as temperaturas do planeta sob a superfície.

Por que isso é importante? Com esse experimento, cientistas tentam responder uma das perguntas mais antigas da astronomia: como se formaram os planetas?

De Marte para o Sistema Solar

Pode parecer surpreendente, mas mesmo com a proximidade dos outros planetas do Sistema Solar (em termos astronômicos, é claro) ainda não sabemos muito bem como eles se formaram.

A teoria mais aceita atualmente afirma que os planetas nasceram ao mesmo tempo que o Sol. Pequenas partículas de poeira que orbitavam nossa estrela recém-nascida começaram a se unir para formar pequenas pedrinhas de alguns centímetros.

Pouco a pouco, ao longo de milhões de anos, essas pequenas pedras de alguma forma se aglomeram em enormes corpos de quilômetros de diâmetros. Nesse ponto, o planetesimal, como é chamado, tem massa suficiente para atrair o material ao seu redor pela própria força da gravidade, chegando em seguida ao status de planeta.

Uma barreira teórica

O grande desafio para os astrônomos é entender o passo intermediário, quando pequenas pedrinhas viram enormes corpos celestes. Ao se chocarem, pedras de tamanhos intermediários se fragmentam, o que dificulta muito o processo de crescimento para chegar ao estágio de planetesimais.

Como diz Wladimir Lyra, astrônomo da Universidade do Estado da Califórnia especialista em formação planetária, “jogue uma pedra contra a outra a 100 quilômetros por hora. O resultado não vai ser uma pedra duas vezes maior. Vai ser farelo de pedra.” Como então resolver o problema?

A verdade é que ainda não sabemos. Somos capazes de simular em computadores a formação das pedrinhas, e também de calcular teoricamente o crescimento de planetesimais. Mas essa etapa do meio ainda representa um desafio para os cientistas.

Experimentos como o InSight em Marte oferecem pistas importantes sobre a composição e a estrutura de outros corpos ao redor do Sol. Pela primeira vez, poderemos estudar o interior de outro planeta, como um cirurgião estudando as partes internas do corpo humano.

Lyra explica: “Já aprendemos muito com a missão Rosetta, que fez a ‘tomografia’ do cometa 67P/Churyumov–Gerasimenko. Aprendemos que o cometa é composto de um número enorme de pedrinhas, coladas por uma matriz, como previsto pelos modelos.  Insight vai fazer uma analise similar, não em um cometa, mas em um planeta.”

Quem sabe isso não nos ajuda a compreender melhor a formação do próprio planeta Terra?

Fonte: Último Segundo

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