2 ANOS: Tenente Ledur completa 721 dias de licença médica

Já se completaram dois anos da morte do aluno do Corpo de Bombeiros, Rodrigo Claro de Lima, 21, e somam 721 dias de licença médica da tenente Izadora Ledur, acusada de tortura que resultou no óbito. A tenente era responsável pela coordenação do treinamento do curso de formação de novos oficiais, do qual Rodrigo fazia parte. Ao longo deste período, Ledur já apresentou à Corporação 13 atestados de licença para tratamento de saúde. O último, publicado no Diário Oficial do Estado (DOE) no dia 7 deste mês, tem validade de 11 a 30 de novembro.

O treinamento ao qual Rodrigo foi submetido ocorreu no dia 10 de novembro de 2016, na Lagoa Trevisan. Aos pais, o aluno já havia relatado o temor da prova, inclusive naquele dia. Após ser submetido a sessões de afogamento, conforme denúncia do Ministério Público, Claro passou mal e teve que ser internado. Cinco dias depois morreu. Ledur responde processo criminal e também processo administrativo junto à Corporação, mas este último continua parado devido à sequência de licenças.

A primeira licença para tratamento de depressão foi publicada no Diário Oficial do dia 20 de dezembro de 2016, mas referente ao período de 25 de novembro de 2016 a 24 de dezembro de 2016. Com a última licença concedida, já somam 13. Para família de Rodrigo, o temor é que a tenente seja beneficiada pelo cargo e que o caso caia na impunidade. Jane Patrício Lima Claro, mãe de Rodrigo, diz que a perseguição ao filho começou justamente por um atestado, devido a um problema de joelho.

“Tudo que ela fez com meu filho, segundo relatos dos outros soldados, é devido ao atestado dele. Hoje ela age na mais pura covardia pegando um atestado atrás de outro e esconde os atos de covardia numa simples folha de papel”, diz Jane.

O caso   

Rodrigo passou mal durante aula prática de primeiros-socorros aquáticos na Lagoa Trevisan, em Cuiabá. De acordo com a denúncia do MPE, a vítima demonstrou dificuldade para desenvolver atividades como flutuação, nado livre e outros exercícios. Ledur utilizava métodos abusivos nos treinamentos para puni-lo.

Também foram acusados de tortura e omissão Marcelo Augusto Revéles Carvalho, Thales Emmanuel da Silva Pereira, Diones Nunes Sirqueira, Francisco Alves de Barros e Eneas de Oliveira Xavier. Eles aceitaram um acordo proposto pelo MPE e cumprem uma espécie de “pena” em regime aberto de três anos.

Processo administrativo   

Neste dois anos da morte de Rodrigo Claro e durante as 13 licenças médicas, Izadora Ledur também foi beneficiada com seis atos do governador Pedro Taques. Os atos foram publicados no Diário Oficial do Estado para sobrestar o prazo de conclusão do Conselho de Justificação, ou seja, a contagem do prazo para conclusão do processo administrativo ao qual Ledur responde foi suspenso. O último prazo de sobrestamento foi publicado dia 07 de maio, interrompendo desde abril os trabalhos.

O Conselho de Justificação foi criado em maio do ano passado e teria prazo de conclusão de 40 dias, no entanto Ledur nunca compareceu às reuniões. Caso entenda que a morte de Rodrigo foi provoca por Ledur, o Conselho pode aplicar punições que podem chegar à expulsão da Corporação.

De acordo com a assessoria do Corpo de Bombeiros, diante da ausência de Ledur, a Corporação emitiu um parecer à Procuradoria Geral do Estado para posicionamento sobre o caso e ainda aguarda resposta. Enquanto isso, o processo da tenente não pode ter prosseguimento. O Corpo de Bombeiros afirma ainda que aguarda as resoluções tanto na justiça quanto administrativa referentes a Ledur.

A família de Rodrigo Claro reclama da morosidade na solução e no andamento do Conselho de Justificação. Para a mãe do jovem, Jane Patrício Lima Claro, a esperança é no processo criminal.

Outro Lado  

A Procuradoria Geral do Estado afirmou que em junho deste ano emitiu parecer sobre o caso. A comunicação do governo foi procurada para se manifestar a respeito do andamento para continuidade ou não do Conselho de Justificação, sem retorno.

A defesa da tenente Izadora Ledur foi procurada para se manifestar sobre o caso, mas confirmou que só vai se posicionar no processo.

Fonte: GD (Aline Almeida)

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