Quase 2 anos após morte de Rodrigo Claro, família vive pesadelo sem fim

“Um pesadelo do qual nunca acordo”. É assim que Jane Patrício Lima Claro descreve a morte do filho Rodrigo Patrício Lima Claro, 21, que completa 2 anos esta semana. No dia 15 de novembro de 2016, faltando menos de 30 dias para integrar a corporação do Corpo de Bombeiros, Claro morreu após passar por um treinamento do curso de formação sob coordenação da tenente Izadora Ledur. Mesmo temendo a impunidade e o favorecimento pelo cargo de Ledur, acusada pela morte do aluno, a família de Rodrigo segue na busca por justiça.

“A falta do Rodrigo é uma constante e esses 2 anos não têm sido fáceis. Estamos tentando conviver da melhor forma possível com este vazio que ficou depois da partida dele. Aquele dia foi o maior pesadelo que já vivi até hoje. Parece que eu estava num sonho ruim e nunca acordei deste sonho”.

O semblante da mãe que há 2 anos enfrenta a ausência do filho transmite forças, não diferente das palavras. Jane ressalta que a família não vai desistir do processo. “Hoje já não é mais só pelo Rodrigo é por outros jovens. Para que eles tenham direito de sonhar e conquistar seus sonhos. Rodrigo teve o sonho de ser um militar e não deram a ele o direito de concluir”.
A morte de Rodrigo, segundo Jane, marcou toda a família. A começar pelo pai de Rodrigo, Antônio Claro. Ele, que por 24 anos usou a farda de bombeiro com orgulho, hoje sequer tem condição de olhar a vestimenta no guarda-roupas.

Para a mãe de Rodrigo, toda figura da instituição foi desconstruída e as boas índoles sufocadas após ato de Ledur. Por isso, ela reforça a necessidade de que a justiça seja feita e que atos como o que vitimaram o aluno não voltem a repetir. A impunidade ainda é um medo estampado nos olhos da mãe de Rodrigo, mas a busca por justiça, segundo ela, não vai parar. “A gente espera que acabe tudo isso logo pra conseguirmos viver um pouco também. Lutar por justiça num país como o nosso é muito difícil.

A gente esbarra todo dia nas leis que favorecem bandidos, não tem uma lei que favorece família e vítimas”, declara Jane.
Na última quarta-feira (7), Jane e Antônio Claro estiveram na Lagoa Trevisan, local do treinamento em que Rodrigo Claro saiu direto para o hospital após passar mal. O dia da prova era 10 de novembro de 2016. Cinco dias depois o jovem morreu.

“Não conhecia a lagoa, ir lá foi muito difícil. Saber que tudo aconteceu ali foi difícil. Eu senti a necessidade de ir lá e não foi fácil estar naquele local onde ele estava cheio de expectativa para realizar o curso e tudo acabou ali. Um ato de estupidez tirou sonho de toda família e do pai que hoje não consegue nem mais usar a farda”, afirma.

Ledur, que está afastada da corporação devido atestados médicos, este ano recebeu mais de R$ 150 mil, segundo dados do portal Mira Cidadão. Ela responde criminalmente pela morte de Rodrigo Claro. O caso está sob responsabilidade do juiz Marcos Faleiros. A defesa solicitou a anulação do processo e cancelamento das provas, mas o Ministério Público se manifestou contrário.

A tenente também responde administrativamente. Um Conselho de Justificação foi aberto há 1 ano e 7 meses com prazo de 40 dias de conclusão, no entanto, segue sem definição. Caso a conduta dela seja considerada irregular e fora dos padrões militares, ela poderá ser exonerada. No entanto, prestes a completar 2 anos da morte de Rodrigo, Ledur não compareceu a nenhuma das convocações do Conselho.

Fonte: GD (Aline Almeida)

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