“Fomos miseravelmente traídos por Lula”, afirma Ciro Gomes após as eleições

Terceiro colocado nas eleições presidenciais, Ciro afirma que foi convidado para ser vice de Lula, mas que nunca mais fará campanha para o PT. Confira

Ciro Gomes, ex-candidato à Presidência pelo PDT, afirmou que ele e as demais lideranças do partido se sentiram

Marcelo Camargo/Agência Brasil

Ciro Gomes, ex-candidato à Presidência pelo PDT, afirmou que ele e as demais lideranças do partido se sentiram “traídos por Lula”

O candidato derrotado à Presidência pelo PDT, Ciro Gomes, abriu o jogo na primeira entrevista concedida após o resultado das urnas, para a Folha de S. Paulo , e criticou duramente o PT afirmando, inclusive, que os integrantes do seu partido foram “miseravelmente traídos” por Lula.

Em seu apartamento em Fortaleza, dois dias após o resultado final das eleições 2018, o pedetista afirmou que os líderes de seu partido se sentiram traídos por Lula quando o ex-presidente, de dentro da prisão, fez um acordo com o PSB para que o partido declarasse neutralidade ao invés de acertar o apoio que já estava apalavrado com o próprio Ciro Gomes.

Dessa forma, o ex-governador do Ceará e ex-ministro do governo do ex-presidente Lula afirmou, quando questionado sobre os erros cometidos pelos pedetistas, que “devemos ter cometido algum erro e merecemos a crítica. Mas, nesse contexto, simplesmente multiplicamos por um milhão as energias que nos restaram para trabalhar. Fomos miseravelmente traído. Aí, é traição, traição mesmo. Palavra dada e não cumprida, clandestinidade, acertos espúrios, grana”.

Na sequência, Ciro completou “pelo ex-presidente Lula e seus asseclas. Você imagina conseguir do PSB neutralidade trocando o governo de Pernambuco e de Minas? Em nome de que foi feito isso? De qual espírito público, razão nacional, interesse popular? Projeto de poder miúdo. De poder e de ladroeira”, antes de finalizar dizendo que “o PT elegeu Bolsonaro”, o que Ciro Gomes disse sustentar a partir de pesquisas: “todas as pesquisas, não sou eu quem estou dizendo, dizem isso.”

Na mesma entrevista concedida à Folha de S. Paulo, Ciro Gomes também defendeu o irmão que, em evento de campanha de Haddad no Ceará, fez duras críticas ao PT ainda durante a campanha, foi vaiado e chegou a ter um vídeo utilizado pela campanha de Bolsonaro nos programas eleitorais veiculados no rádio e na TV.

Além disso, o ex-presidenciável afirmou que “não quero participar dessa aglutinação de esquerda. Isso sempre foi sinônimo oportunista de hegemonia petista. Quero fundar um novo campo, onde para ser de esquerda não tem de tapar o nariz com ladroeira, corrupção, falta de escrúpulo, oportunismo. Isso não é esquerda. É o velho caudilhismo populista sul-americano.”

Ciro Gomes também se esquivou das críticas de um possível descaso com o futuro do País ao ter viajado para Paris logo após o primeiro turno e não ter participado da campanha contra Bolsonaro, afirmando ser uma posição de “absoluta impotência” e que não teve uma postura de neutralidade já que “quem declara o que declarei não está neutro. Agora, o que estava dizendo, por uma razão prática, não iria com eles se fossem vitoriosos, já estaria na oposição. Mas estava flagrante que já estava perdida a eleição.”

Por fim, o pedetista reafirmou que chegou a ser convidado para ser vice de Lula, mas que se considerou insultado “porque isso é uma fraude. Para essa fraude, fui convidado a praticá-la. Esses fanáticos do PT não sabem, mas o Lula, em momento de vacilação, me chamou para cumprir esse papelão que o Haddad cumpriu” para em outro momento acrescentar “o Haddad é uma pessoa boa, mas ele, jamais, se fosse uma pessoa que tivesse mais fibra, deveria ter aceito esse papelão. Toda segunda ir lá [visitar Lula], rapaz. Quem acha que o povo vai eleger uma pessoa assim? Lula nunca permitiu nascer ninguém perto dele. E eles empurram para a direita, que é o que querem fazer comigo.”

Ao afirmar que os pedestistas se sentem traídos por Lula e afirmar que o ex-presidente “se corrompeu, porque hoje está cercado de bajuladores”, citou o nome de Leonardo Boff [a quem chegou a chamar de “bosta”], Frei Betto e da presidente do partido, Gleisi Hoffmann.

Fonte: Último Segundo

Powered by WP Bannerize

Deixe uma resposta