Júlio Müller suspende atendimento por tempo indeterminado

Desde a manhã de segunda-feira (3), Serviço de Atendimento Pediátrico do Hospital Universitário Júlio Müller (HUJM) suspendeu os atendimentos por tempo indeterminado. Com isso, cerca de 80 crianças deixam de ser atendidas na unidade por dia. De acordo com a superintendência do hospital, a paralisação das atividades ocorre por conta do deficit de funcionários, já que só em agosto 20 profissionais da área médica se aposentaram e nos últimos 8 meses, a direção tem recebido uma média de 26 atestados médicos por dia.

Licenças médicas prolongadas e de gestação também colaboram para a baixa no atendimento. Situação se agrava ainda mais diante a impossibilidade de contratação, já que no período eleitoral é proibida a realização de concurso público.

Segundo o superintendente do HUJM, Hildevaldo Monteiro Fortes, o problema afeta todos os setores da unidade e, por isso, foi necessário um remanejamento de funcionários para que apenas uma área fosse prejudicada. Após estudo das possibilidades, a decisão ficou entre suspender atendimentos da Unidade de Terapia Intensiva (UTI) neonatal ou do serviço de atendimento pediátrico. “Optamos pela segunda opção já que há pronto atendimento em outras unidades como Pronto-Socorro, Unidades de Pronto Atendimento (UPAs) e policlínicas. Já a UTI neonatal é um serviço mais restrito, especialmente no setor público”.

Além disso, Fortes explica que suspender o atendimento da UTI Neonatal poderia causar tragédias em efeito dominó, já que afetaria gestantes de alto risco, partos cesáreas de emergência e os bebês com estado clínico mais grave. Ainda assim, o superintende salienta que a UTI Neonatal está funcionando no limite, com apenas 2 médicos, um enfermeiro e 2 técnicos de enfermagem, todos remanejados de outros setores.

Atualmente, a unidade conta com 780 funcionários só na área médico hospitalar, número que já não é suficiente para atender a demanda. Desde o ano passado, a direção vem realizando levantamento com relação a este quantitativo, chegando à conclusão do deficit preocupante. Em 2017, mais de 80 funcionários da área médica se aposentaram, o que se repetiu com outros 20 trabalhadores só no mês de agosto.

Para Fortes, caso o quadro estivesse com o número de funcionários ideal, as licenças não afetariam de forma significativa o atendimento.

Problema em todo país

Superintendente do HUJM, Hildevaldo Monteiro Fortes diz que o problema identificado na unidade não é exclusivo de Mato Grosso. Outros 40 hospitais universitários do Brasil, gerenciados pela Empresa Brasileira de Serviços Hospitalares (Ebserh), enfrentam a mesma situação.

Diante disso, na manhã desta terça-feira (4), às 8h, o presidente da Ebserh realizará uma videoconferência com todos os superintendentes destas unidades. A expectativa é que a discussão dure cerca de duas horas e que neste período seja apontada uma forma de realizar um processo seletivo, de forma emergencial, para a contratação de novos funcionários.

Antes de ser intitulado como serviço de atendimento pediátrico do hospital, o setor era um Pronto Atendimento (PA), que funcionava 24h por dia, durante todos os dias da semana. Hoje o setor funciona de segunda a sextafeira em horário comercial. A mudança veio justamente por conta da falta de profissionais para realizar o atendimento ininterrupto. “Estamos construindo um PA infantil, que conforme o cronograma deve ficar pronto em fevereiro de 2019, mesmo período em que está previsto o lançamento de edital para concurso público”.

Faltam 6 meses até que isso aconteça e o superintendente reforça que unidade não pode manter o pleno atendimento com o quadro de funcionários tão reduzido. Por isso, além da busca de solução junto à presidência da Ebserh, a unidade recorreu também ao Ministério Público Federal (MPF) na expectativa do órgão ajudar legalmente, no trâmite de contratação em pleno período eleitoral. “A esperança é que esta seja uma suspensão temporária”.

Fonte: A Gazeta (Elayne Mendes)

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