Alckmin busca medida para atacar Bolsonaro na TV

Amoêdo pode ser mais uma pedra no caminho tucano

A campanha de TV e rádio do candidato à Presidência do PSDB, Geraldo Alckmin, não vê outro caminho para chegar ao segundo turno: precisa fazer o que chama de propaganda negativa sobre Jair Bolsonaro (PSL). O horário eleitoral gratuito no rádio e na TV começará nesta sexta, dia 31, mas a campanha presidencial irá ao ar no dia seguinte.

Não tem jeito de Alckmin passar à segunda fase sem tomar votos de Bolsonaro, diz um auxiliar do tucano. Mas é preciso achar a medida certa para desconstruir o postulante do PSL, sob pena de ajudar direta ou indiretamente outros candidatos, como Alvaro Dias (Podemos) e Marina Silva (Rede), avalia esse estrategista do candidato do PSDB.

As críticas tucanas ao PT têm o objetivo de evitar que Bolsonaro se consolide como o anti-Lula. Esses ataques farão parte da campanha televisiva de Alckmin, até porque ele tem, afirma um auxiliar, “um latifúndio” de tempo que permite “várias narrativas”.

Outra narrativa de destaque será feita para as mulheres, segmento do eleitorado que é o calcanhar-de-aquiles de Bolsonaro. A vice de Alckmin, a senadora Ana Amélia (PP), deverá ser a principal voz para falar disso na campanha no rádio e na TV.

Para evitar um blocão chato na TV, é provável que o programa de Alckmin tenha alguns “comerciais” no meio das diversas narrativas, com peças mais leves para evitar que a propaganda se transforme num novelão sem intervalo.

Tucano na mira

A propaganda de Marina Silva na TV e no rádio deve lançar torpedos contra Alckmin, Bolsonaro e o PT. Se Lula ficar fora da disputa, como é o cenário mais provável, Marina precisará evitar ser ultrapassada por Fernando Haddad, o plano B petista que já está nas ruas.

A candidata também tem preocupação em barrar a ascensão de Alckmin e deverá continuar a explorar o filão que abriu no debate da RedeTV! ao enfrentar Bolsonaro num confronto sobre o mau exemplo de incentivar crianças a simular uma arma com os dedos.

Bandeira popular

Ciro Gomes (PDT) deverá seguir o figurino propositivo, com destaque para a boa proposta de tirar o nome dos devedores do SPC. O desafio dele é grande: superar Marina e evitar que seja atropelado por Haddad.

Saída pela internet

Bolsonaro precisará contar com o suporte das redes sociais para atravessar o deserto do pouco tempo de rádio e TV. A reação via noticiário também será importante para a estratégia de defesa e de contra-ataque, diz um deputado que tem auxiliado a campanha do PSL.

Lula na TV

O PT tem esperança de que o tempo da luta na Justiça Eleitoral para tentar emplacar a candidatura de Lula permita que a propaganda do partido use o ex-presidente Lula na primeira semana. A propaganda no rádio e na TV começará nesta sexta, dia 31.

O TSE (Tribunal Superior Eleitoral) deverá tomar uma decisão sobre a impugnação da candidatura do petista somente nos dias 5 ou 6 de setembro. O PT espera ter tempo para difundir o mote: “Lula é Haddad, Haddad é Lula”.

Pisou na bola

O papa Francisco errou feio ao usar a palavra “psiquiatria” para se referir à forma como famílias devem lidar com crianças que manifestam orientação sexual gay. O próprio Vaticano corrigiu a declaração, retirou a expressão “psiquiatria” e afirmou que o papa se referia a algum tipo de orientação psicológica.

Nesses casos, a psicologia pode ajudar mais os pais a aceitar a criança como ela é, evitando repressão e incompreensão familiar tão danosas ao futuro adulto. No Brasil, o Conselho Federal de Psicologia já se posicionou contra “terapias de reversão” e a “cura gay”, bandeiras equivocadas do lobby religioso no Congresso. O papel da psicologia é bem-vindo no sentido de acolhimento.

Mais uma burrice

O PT deveria ser o primeiro interessado em esclarecer a acusação de compra de tuítes para elogiar candidatos do partido. A sigla já se valeu de militância paga no passado nas redes sociais, ao contrário do que disse a presidente do partido, a senadora Gleisi Hoffmann (PR).

Hoje, a legislação proíbe. A pena é de multa, mas um enorme volume de dinheiro poderia até resultar em cassação, a depender do entendimento da Justiça Eleitoral.

Pesquisa do BTG

Uma pesquisa telefônica encomendada por um banco deu gás ontem a um rumor pró-João Amoêdo (Novo). No levantamento espontâneo, Amoêdo surgiu numericamente à frente de Alckmin.

Foi o suficiente para despertar o temor de que o candidato do Novo possa alcançar uma votação que faça falta a Alckmin para chegar ao segundo turno. Amoêdo tem colhido simpatia em segmentos do eleitorado de direita e centro-direita, sobretudo de maior renda.

É improvável que cresça para chegar ao segundo turno, mas não é desprezível a hipótese de ser mais uma pedra no caminho do PSDB nesta eleição.

Fonte: Blog do Kennedy

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