Raquel Dodge dá parecer contrário à soltura de irmãos Taques e Savi

A Procuradora-Geral da República (PGR) Raquel Dodge deu parecer contrário, nesta sexta-feira (17), ao pedido para que a liberdade concedida ao empresário Valter José Kobori seja extensiva ao deputado estadual Mauro Savi (DEM), ao ex-secretário Paulo Taques e ao advogado Pedro Jorge Taques. O parecer foi encaminhado à ministra do Supremo Tribunal Federal (STF), Rosa Weber, responsável pelo caso.

Todos foram presos em 9 de maio durante a Operação Bônus, 2ª fase da Operação Bereré, pelo Grupo de Combate ao Crime Organizado (Gaeco) e pelo Núcleo de Ações de Competência Originária (Naco-Criminal). Todos são acusados de integrar o esquema de desvios de recursos operado no Departamento de Trânsito (Detran-MT).

No pedido de extensão, a defesa dos três acusados aponta que o ministro do STF, Dias Toffoli, concedeu a soltura de Kobori em 26 de julho sob a alegação de que as acusações não justificam, por si só, a decretação da prisão cautelar. A defesa apoonta ainda que, assim como Kobori, os três tiveram prisão decretada pelo desembargador do Tribunal de Justiça (TJ), José Zuquim Nogueira, sob as mesmas acusações.

Alega também que a prisão foi decretada apenas com base nos depoimento dos colaboradores da justiça, isolada de demais elementos probatórios, de modo que os proprietários da EIG Mercados, José Ferreira Gonçalves Neto e José Henrique Ferreira Gonçalves, fizeram afirmações “inverídicas” para obterem benefícios do instituto da colaboração premiada.

Por essa razão, a defesa do trio requereu a extensão da liberdade dada a Kobori “notadamente em razão da falta de contemporaneidade entre os fatos supostamente criminosos e a prisão processual decretada pelo TJMT”, diz trecho do pedido.

Ao analisar o caso, a procuradora Raquel Dodge lembrou que já interpôs recurso contra a decisão que determinou a soltura de Kobori por entender que tanto o empresário, quanto o trio, participaram ativamente do esquema, evidenciando o poder e a influência política dos acusados.

Conforme as investigações, Kobori foi o responsável por acordar com Paulo Taques a continuidade do esquema no Detran na atual gestão do Governo do Estado (a partir de janeiro de 2015). O pagamento da propina seria feito via escritório de advocacia que Paulo Taques tem em sociedade com seu irmão, Pedro Zamar.

Já o deputado estadual Mauro Savi era considerado o líder do esquema por ter indicado os presidentes do Detran durante os períodos do esquema.

“A participação dos pacientes no engendrado esquema criminoso ocorreu de maneira distinta e individualizada, mesmo quando se constatam as diversas condutas dentro do mesmo núcleo da organização do qual faziam parte: núcleo de liderança (Mauro Luiz Savi e Paulo Cesar Zamar Taques) e núcleo de operação (Pedro Jorge Zamar Taques e José Kobori)”, escreveu.

Dodge apontou ainda que, em razão da interposição do recurso, é necessário aguardar que os pedidos de extensão sejam apreciados apenas após a reapreciação da decisão do ministro Dias Toffoli, ou após pronunciamento da Turma do STF quanto eventual necessidade de reforma da decisão.

“Assim, requeiro o indeferimento do pedido extensão, ao tempo que ratifico o pedido de reforma sobre a decisão que se pretende ver estendida”, encerrou.

Além da prisão dos 4, também foram presos preventivamente os empresários Roque Anildo Reinheimer e Claudemir Pereira dos Santos, vulgo “Grilo” durante a operação. Todos seguem detidos no Centro de Custódia da Capital com exceção dos empresários Roque e Kobori.

Fonte: GD (Karine Miranda)

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