Botelho confirma pressão para CPI contra Taques por grampos

Presidente da Assembleia Legislativa de Mato Grosso(ALMT), Eduardo Botelho, confirmou a movimentação para a criação de uma Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) visando investigar a possível participação do governador Pedro Taques no escândalo conhecido como “Grampolândia Pantaneira”, um suposto esquema de interceptações telefônicas clandestino criado durante as eleições de 2014 para monitorar adversários políticos e dezenas de pessoas.

“Vários deputados me ligaram falando da necessidade de se criar uma CPI dos grampos por conta do depoimento do cabo Gerson que revelou como o esquema foi criado e citou o o governador. Vamos aguardar os pedidos”, disse Botelho a reportagem.

Na madrugada do último sábado, o cabo da Polícia Militar, Gerson Corrêa, prestou um depoimento de mais de 5 horas onde afirmou que o governador Pedro Taques (PSDB) e o seu primo e ex-chefe da Casa Civil seriam “os donos do negócio”.

A oposição ao governador já fala em um novo pedido de impeachment contra Taques, por conta do sistema de arapongagem descoberto.

Questionado se esses fatos seriam motivos para uma processo de impeachment contra o governador, Botelho preferiu não comentar.

“Eu não vou comentar porque se eu disser que não seria motivo, iriam falar que estou ajudando o governador. E se eu falar que o fato é grave e merece ser investigado, falarão que eu estou contra o governador. Melhor deixar o debate para o plenário e eu só ecercerei o meu papel de presidente”, avaliou.

No entanto, Botelho garante que se seguirá a maioria dos parlamentares. “Eu vou segui a maioria. O que decidirem eu acato. Se terá ou não CPI, se terá ou não processo de impeachment, eu não sei. Só vou encaminhar o que for decidido”.

Sobre o pedido de impeachment protocolado no final de janeiro pelo Sindicato dos Servidores do Poder Judiciário de Mato Grosso (Sinjusmat), por crime de responsabilidade – sob argumento de que Taques feriu a lei ao não efetuar o pagamento integral do duodécimo do Judiciário nos anos de 2016, 2017 e 2018 sem que haja para tanto a caracterização da justificativa da “frustação de receitas” -, Botelho disse que o pedido ainda está em cima de sua mesa para análise.

“A Procuradoria da Assembleia emitiu um parecer e está para análise. Os argumentos técnicos nesse pedido são fracos. No entanto, existem elementos políticos para acatar esse pedido. Politicamente pode ser aceito. Mas vou ver isso depois”, finaliza.

Sobre a citação do seu nome no caso dos grampos, Pedro Taques emitiu uma nota negando sua participação e disse que tomou todas as medidas administrativas quando soube do esquema.

Taques também afirma que solicitou ao Superior Tribunal de Justiça (STJ) que fosse investigado para provar sua inocência.

No entanto, Taques foi comunicado em outubro de 2015 sobre o esquema. E o seu pedido ao STJ só ocorreu em agosto de 2017.

Fonte: GD (Pablo Rodrigo)

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