A “intelligentsia” dos partidos

*Onofre Ribeiro

O termo não é novo e indica algo como a intelectualidade de um grupo. Em especial de uma nação. Refere-se a uma inteligência coordenada que reflete os pensamentos desse grupo.

Na política o termo não é usado. Seu melhor emprego veio do filósofo político italiano Norberto Bobbio. No caso do Brasil, perdemos a intelligentsia há muito tempo. Primeiro, quando as universidades públicas saíram do campo da ciência estrita e entraram na aventura das ideologias. Ideologia não tem nada a ver com a intelligentsia.

Nenhuma nação subsiste se não houver uma massa crítica pensante. Ela pode estar na sua literatura, no judiciário, no legislativo e nas universidades. No caso do Brasil ela não está em nenhum desses. Não está na música, nem nas artes, tampouco na nossa paupérrima literatura.

Vivendo no meio de uma poderosa crise institucional e política, não temos pra onde correr. Não se produz pensamento crítico no país. A mídia superpovoada de variedades de ocasião explora o óbvio na maior parte do tempo. Pra chorar de tristeza podemos até dizer que as horríveis telenovelas da televisão representam alguma vertente de pensamento crítico no país. Pelo lado dos costumes. Tentam refletir e construir ideologias urbanas e pensamento rasteiro a partir desse cotidiano medíocre em que vivemos.

Na política, os maiores partidos sustentam fundações que deveriam servir pra criar e refletir pensamentos sociais a respeito da filosofia partidária desse grupo. Custam caro. Mas não executam a missão. Por isso os partidos políticos navegam cada vez mais profundos no vazio da exclusiva busca de poder.

O oportunismo partidário gerou aventureiros e senhores feudais, donos das capitanias hereditárias chamadas de partidos políticos. Nada produzem de concreto além de poder e poder pelo poder. Nada mais. Na esteira, a mediocridade que mata a política, afunda o Congresso Nacional e todas as instâncias do legislativo. Alcançou poderosamente o poder judiciário, outro mar raso de conteúdo crítico.

É nesse cenário vazio de ideias e sem a mínima intelligentsia intelectual é que o Brasil vai enfrentar eleições gerais em 2018. No meio de imensas crises. Deus nos acuda.

*Onofre Ribeiro é jornalista em Mato Grosso

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