Taques nega envolvimento em grampos e diz que deu autonomia para investigação

O Governo de Mato Grosso se manifestou na manhã deste sábado (28), em nome do governador Pedro Taques (PSDB), para rebater as afirmações de autoria da grampolândia pantaneira.

“O Governo do Estado informa que o governador Pedro Taques determinou a apuração de todos os fatos relacionados às supostas escutas telefônicas clandestinas assim que a denúncia chegou ao conhecimento dele, em 2015, garantindo independência das Polícias Civil e Militar nas investigações”, diz trecho da nota.

A nota divulgada esclarece que as afirmações do cabo da Polícia militar em Mato Grosso, Gerson Corrêa Junior, estabelecidas em audiência na sexta-feira (28), são falsas.

Corrêa afirmou na ocasião que Paulo Taques, ex-secretário de Casa Civil e primo do governador, foi o principal responsável pelas interceptações. “O interesse é do governador Pedro Taques e do senhor Paulo Taques, sem nenhuma sombra de dúvidas”, disse o policial em sua confissão se referindo ao pleito eleitoral de 2014.

Gerson revelou detalhes de como era operado o esquema de interceptação e afirmou, diante do juiz Murilo de Moura Mesquita, que inicialmente foi informado que as interceptações seriam para investigar policiais suspeitos de envolvimento com tráfico de drogas. Tratou-se de uma mentira, conforme o réu.

Gerson disse ainda que recebeu de Paulo Taques a quantia de R$ 50 mil para comprar os equipamentos necessários para montar a central de interceptações.

Para aumentar o tom de verdade, a nota divulgada pelo governo afirma que o próprio Pedro Taques solicitou investigação sobre o caso no Superior Tribunal de Justiça.

“O Governo do Estado ressalta ainda que o governador Pedro Taques solicitou ao Superior Tribunal de Justiça que ele próprio fosse investigado neste caso para comprovar, perante a Justiça, que não teve qualquer envolvimento nos fatos narrados por terceiros”, enfatiza a assessoria do governador.

Defesa de Gerson

O advogado Neyman Monteiro, responsável pela defesa do cabo da Polícia Militar Gerson Corrêa, se surpreendeu com as confissões realizadas por seu cliente no fim da noite de sexta-feira (27). Ele promete buscar os benefícios da delação premiada.

“Ele [Gerson] solucionou a grampolândia pantaneira. A defesa se surpreendeu com os mínimos detalhes sobre o caso. Os advogados apenas orientam o réu. Mas os detalhes surpreenderam. A defesa agora vai buscar os benefícios de uma colaboração premiada”, disse Neyman na manhã deste sábado ao Gazeta Digital.

Paulo Taques

Investigado pelos grampos no STJ, Paulo Taques está preso por suposto envolvimento em desvios de R$ 30 milhões no Departamento Estadual de Trânsito (Detran-MT).

Os grampos

Reportagem do programa “Fantástico”, da Rede Globo, revelou na noite de 14 de maio de 2017 que a Polícia Militar em Mato Grosso “grampeou” de maneira irregular uma lista de pessoas que não eram investigadas por crime.

A matéria destacou como vítimas a deputada estadual Janaína Riva (MDB), o advogado José do Patrocínio e o jornalista José Marcondes, conhecido como Muvuca. Eles são apenas alguns dos “monitorados”.

O esquema de “arapongagem” já havia vazado na imprensa local após o início da apuração de Fantástico.
Os grampos foram conseguidos na modalidade “barriga de aluguel”, quando investigadores solicitam à Justiça acesso aos telefonemas de determinadas pessoas envolvidas em crimes e no meio dos nomes inserem contatos de não investigados.

No processo da Justiça Militar, são réus os coronéis Zaqueu Barbosa, Evandro Alexandre Ferraz Lesco, Ronelson Jorge de Barros, o tenente-coronel Januário Antônio Batista e o cabo Gerson Luiz Ferreira Corrêa Júnior.

Fonte: GD (Arthur Santos da Silva)

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