Mulheres correm mais risco de sofrer infarto que os homens

Mesmo no inverno Cuiabá sempre está quente, contudo, um item que não pode ser deixado de lado e muito menos esquecido é a saúde. Especialistas têm prometido temperaturas cada vez mais quentes. Ano a ano recordes de temperatura são quebrados, com locais como Cuiabá com termômetros batendo na casa dos 35°C.

Estudiosos do clima apontam que o efeito estufa irá esquentar ainda mais a terra, com promessas de mais 5°C de elevação. E como isso pode afetar o corpo e deixar em risco eminente, a saúde. Muitas são as doenças relacionadas aos dias quentes, como câncer de pele, desidratação, viroses típicas do verão, dermatites e intoxicações alimentares. E um órgão, que tecnicamente não ficaria tão exposto, pode sofrer e muito com temperaturas tão elevadas. É ele, o coração!

O médico cardiologista intervencionista e coordenador da campanha Coração Alerta, Hélio Castello, alerta que as altas temperaturas podem causar desidratação, alterando a viscosidade do sangue, a pressão arterial, o colesterol e a frequência cardíaca elevando o risco de sofrer de infarto e AVC.

“Pacientes que apresentam pressão muito alta, por exemplo, precisam ficar atentos a sintomas como vista embaçada, mal estar e tontura. Os medicamentos vasodilatadores podem apresentar efeitos contrários: potencializando a vasodilatação ou hipotensão, causando a perda de pressão. Isto é mais evidente e intenso nos idosos”, alerta o especialista.

Com o tempo quente é natural que as artérias fiquem mais dilatadas, fazendo com que o sangue tenha mais espaço para circular. Quem toma medicamentos vasodilatadores, para pressão alta, podem ter esse efeito acentuado e sofrer o extremo oposto: hipotensão, ou seja, pressão insuficiente. Os principais sintomas são tontura e vista embaçada.

O infarto do miocárdio, também conhecido como ataque do coração, é decorrência do entupimento de uma artéria. Isso acontece devido ao acúmulo de gordura que se deposita na parede da artéria do coração, dificultando a circulação sanguínea e facilitando a formação de coágulo que pode bloquear a passagem do sangue.

De acordo com Daniel Diehl, especialista em cardiologia Intervencionista da Sociedade Brasileira de Cardiologia Intervencionista (SBHCI), os riscos de infarto no calor aumentam em 10% em relação às outras épocas do ano, principalmente em pessoas mais velhas e com doenças coronarianas.

A explicação para o calor influenciar no risco de problemas cardiovasculares é que o suor em excesso promove a concentração de colesterol, queda da pressão e deixa o sangue mais denso, condições ideais para o enfarte e derrame.

Quando se fala em ataque cardíaco, a maioria das pessoas logo pensa em um homem de meia-idade com fortes dores no peito. Mas já está na hora dessa imagem começar a mudar. Isso porque, a quantidade de mulheres que estão sofrendo com doenças cardiovasculares está aumentando assustadoramente.

Atualmente, cerca de 30% dos casos de infarto acontecem entre elas e de cada dez óbitos provocados por esse tipo de quadro, quatro têm como vítimas pessoas do sexo feminino. Na década de 1960 essa proporção era de nove homens para uma mulher.

E isso tem acontecido porque elas estão mais expostas a fatores que oferecem risco a esse órgão, como o aumento da circunferência abdominal, mais estresse, alimentação inadequada e pressão arterial acima do recomendado.

Além disso, o coração delas é menor e as artérias coronárias são 15% mais estreitas, o que faz com que a sua frequência cardíaca em repouso seja naturalmente mais alta. Outro ponto que merece destaque no caso da mulherada é a alteração hormonal.

As pílulas anticoncepcionais podem favorecer a formação de coágulos nos vasos, especialmente se estiverem associadas ao tabagismo. E quando chega a menopausa, a redução dos hormônios, como o estrógeno, faz com que o tônus das paredes das veias diminua e aumentem as chances de uma inflamação dar as caras, prejudicando ainda mais a saúde do peito.

Se todos esses fatores não fossem preocupantes o bastante, ainda há o fato de que os sintomas de infarto nas mulheres nem sempre são aqueles considerados clássicos: dor no peito que irradia para o braço esquerdo, suor frio, náusea e desmaio, por exemplo.

Elas podem apresentar também falta de ar, arritmia e cansaço extremo, o que tende a confundir a pessoa, seus familiares e até mesmo alguns especialistas. Isso sem falar que as mulheres costumam ser mais tolerantes à dor, o que aumenta ainda mais as chances de ela demorar muito para procurar ajuda especializada, permitindo que o caso fique mais complicado.

Até agora, as pacientes que apresentavam até 10% de chance de sofrerem um infarto ou um acidente vascular cerebral nos dez anos seguintes, levando em consideração fatores como taxa de colesterol, pressão arterial, peso, idade e histórico familiar, eram enquadradas na categoria de risco médio.

Agora elas vão pertencer ao grupo de alto risco e poderão ser tratadas com medidas mais agressivas, mesmo que isso envolva o uso de medicamentos, para manter a taxa do colesterol ruim (LDL) em até 70 mg/dl.

Já as recomendações de fazer exames com frequência, (anualmente para quem é considerado saudável e de acordo com a recomendação do médico nos outros casos), conhecer seu histórico familiar relacionado a doenças do coração, tomar cuidado com o aumento de peso, praticar atividades físicas, se alimentar de maneira saudável e apagar o cigarro são recomendações que continuam valendo para todo mundo e podem ajudar a mudar essas estatísticas preocupantes.

Modos de prevenção

Com o tempo quente é natural que as artérias fiquem mais dilatadas, fazendo com que o sangue tenha mais espaço para circular. Quem toma medicamentos vasodilatadores, para pressão alta, podem ter esse efeito acentuado e sofrer o extremo oposto: hipotensão, ou seja, pressão insuficiente. Os principais sintomas são tontura e vista embaçada.

Como se proteger?

– Mantenha seu check-up médico em dia. Pessoas hipertensas ou que apresentam algum tipo de cardiopatia prévia, com uso contínuo de medicação, devem avisar ao médico sobre viagens ou possíveis desconfortos ao enfrentar altas temperaturas;
– Evite a exposição direta ao calor no período da manhã, horário com maior frequência dos casos de infarto;
– Fique atento a sintomas como tontura, formigamento constante e vista turva, podem ser sinais de alteração na pressão sanguínea;
– Viagens para o litoral devem ser bem monitoradas, principalmente em hipertensos, pois estes lugares costumam ser ainda mais quentes e podem diminuir o nível de pressão, aumentando os efeitos dos medicamentos. Quando for viajar de avião é importante ingerir alimentos leves e se hidratar adequadamente. Evite ingestão de bebidas alcoólicas nos voos;
– Abuse da ingestão de líquidos (não alcoólicos). Dica: água de coco pode ser uma excelente opção, pois além hidratar é uma excelente fonte de vitamina C e minerais como: cálcio, fósforo, magnésio, potássio e sódio;
– Mantenha a rotina de exercícios e escolha horários com menos exposição ao sol e com temperaturas mais amenas;
– Prefira roupas leves e de cores claras;
– Alimente-se com comidas menos gordurosas, dando preferência a saladas e carnes magras;
– Não abuse na ingestão de bebidas alcoólicas, o álcool desidrata o organismo e pode aumentar a perda de líquidos do corpo.

Por que elas são mais propensas a problemas cardíacos?

  • O órgão delas é 15% menor, as artérias coronárias são mais estreitas e a frequência cardíaca em repouso é mais alta, ou seja, o coração é naturalmente mais acelerado.
  • O fato dos vasos serem mais apertados facilita o processo de entupimento.
  • A diabetes aumenta de 3 a 7 vezes as chances de elas sofrerem com doença arterial coronariana. Nos homens o risco se eleva em 2 a 3 vezes.
  • Estudos revelaram que o time feminino é 20% mais propenso a sofrer com angina, a dor no peito, do que o masculino.
  • Trabalhos científicos também mostraram que ter um parente de primeiro grau com doença arterial coronariana eleva mais o risco de sofrer com o mesmo problema nelas do que neles.
  • Ciclos menstruais irregulares e síndrome do ovário policístico podem se converter em ameaças para o peito se não forem devidamente tratados.
  • O uso de pílulas anticoncepcionais pode prejudicar a saúde do coração, especialmente se forem associadas ao fumo.
  • Na menopausa o risco de sofrer com problemas cardíacos aumenta ainda mais. Isso acontece porque os hormônios femininos que ficam em baixa nessa fase da vida mantêm o tônus das paredes dos vasos e reduzem as chances de inflamação. Além disso, a pressão alta e os níveis do LDL, o mau colesterol, tendem a piorar à medida que envelhecemos.

Fonte: GD (Rodrigo Penteado, da Rojas Comunicação)

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