Disputa ao governo de MT une antigos ‘adversários’ políticos

Friedrich Nietzsche disse certa vez que os políticos dividem os seres humanos em duas classes: inimigos e instrumentos. O adágio do filósofo alemão talvez sirva para explicar a equação que resultou no grupo do pré-candidato ao governo, encabeçado pelo ex-prefeito Mauro Mendes (DEM). Um ‘time’ repleto de políticos que até pouco tempo se viam como verdadeiros rivais.

Criado para derrotar o governador Pedro Taques (PSDB), que sonha com a reeleição, o time de Mendes esboçou o primeiro sinal de confronto interno quando o candidato a vice-governador, Otaviano Pivetta (PDT), fechou as portas para Carlos Fávaro (PSD) no grupo.

Em março, o ex-prefeito de Lucas do Rio Verde disse que não teria espaço para Fávaro no “time de oposição”. Fávaro ignorou o aviso, aderiu ao grupo e Pivetta teve que aceitá-lo. Os dois são inimigos históricos em Lucas, quando Fávaro apoiou a campanha do milionário agricultor Luiz Binotti (PSD) para prefeito contra Pivetta que tentava ser reeleito.

Logo depois de Fávaro, foi a vez de a embrionária coligação dar as boas vindas ao fisiológico MDB, partido cujo cacique, Carlos Bezerra, é um rival antigo de Adilton Sachetti (PRB). Os dois tem eleitorado em Rondonópolis e lá travaram disputas agressivas. Em 2006, Sachetti chegou a dizer que Bezerra era “demagogo, politiqueiro e irresponsável”.

Poucos dias depois da chegada do MDB, Sachetti anunciou a saída da chapa de Mauro Mendes argumentando falta de espaço para concorrer ao Senado e intensificou as conversas com Pedro Taques.

Quem não tem essa opção é o próprio Mauro, que também teve de aceitar um adversário histórico do mesmo lado que o seu. A vinda do MDB significou a chegada de Valtenir Pereira. O deputado foi o responsável pela implosão do PSB e pela debandada de muitos políticos, que migraram para o DEM junto com Mauro.

Muito antes disso, Pereira e Mendes rivalizaram em 2008, quando Mauro Mendes foi até o segundo turno nas eleições para a Prefeitura de Cuiabá, vencendo Valtenir. Em 2010, Pereira queria ser candidato ao governador, mas a filiação de Mauro ao PSB o retirou do pleito, o que intensificou a mágoa.

O deputado estadual Romoaldo Júnior (MDB) admite que para tentar conter as rivalidades é preciso “muita conversa”. O pré-candidato ao Senado, Jayme Campos, conversou com Emanuel Pinheiro (MDB) sobre a indisposição que o prefeito sentia em relação a Mauro Mendes. Os dois foram adversários nas eleições de 2016. “Não há nada que uma conversa, um cafuné e uma cerveja gelada não resolvam, é uma questão que basta sentar e conversar para resolvermos rapidamente”, apazigou Romoaldo.

O parlamentar não é o único preocupado com as tensões dentro do grupo. O ex-senador Júlio Campos, um dos articuladores da chapa, argumentou que os correligionários de hoje precisam saber distinguir rivalidade de inimizade. “O Pivetta e o Fávaro, por exemplo, já estão resolvidos, ele chama o Fávaro de Carlão, e se respeitam”, contou Campos. “Tudo isso foi resolvido, no caso dos dois, o Fávaro jamais seria convidado se o Pivetta se sentisse desconfortável”, concluiu.

Para ilustrar a necessidade de esquecer as adversidades do passado o ex-senador usa outra frase. Um lema repetido pelo ex-presidente Getúlio Vargas, conhecido por sua capacidade de dialogar com ex-inimigos e de transitar entre diversos campos ideológicos. “Getúlio já dizia: a política é a arte de você não transformar o seu adversário em inimigo”, parafraseia Júlio.

Fonte: GD (Lázaro Thor Borges)

Powered by WP Bannerize

Deixe uma resposta