Árbitro de vídeo

*Por Oliveira Júnior

Sem dúvidas, numa Copa do Mundo com tantas surpresas e ausências, o grande personagem da Rússia é o árbitro de vídeo (VAR) ou ‘video assistant referee’, em inglês, adotado pela Fifa para ‘tentar minimizar a pressão sobre os questionados erros da arbitragem’. Mas o que muita gente não entendeu ainda é que na verdade a ferramenta tecnológica não age sozinha e a decisão final sobre um lance capital cabe a um outro árbitro que está fora de campo e não ao homem de amarelo que corre entre as quatro linhas.

Na Copa da Rússia, o VAR está sendo utilizado somente para checar quatro tipos de jogadas: 1) anular um gol ilegal, feito com a mão ou por um jogador impedido (ou validar um gol legal); 2) marcar um pênalti claro e que tenha passado despercebido (ou corrigir uma simulação); 3) expulsar um jogador que tenha cometido falta passível de cartão vermelho direto (e que tenha passado despercebida pelo árbitro); e 4) em caso de confusão de identidade — ou seja, se o juiz mostrar cartão, amarelo ou vermelho, ao jogador errado.

A revisão desses tipos de lance é feita por uma equipe de quatro árbitros mais experientes (a maioria já encerrou a carreira), instalados em uma cabine dentro do Centro Internacional de Transmissões, em Moscou — treze árbitros se revezarão nessa tarefa, entre eles o brasileiro Wilton Pereira Sampaio, da Federação Goiana de Futebol.

Ou seja, não será em todo lance decisivo que haverá o sinal de socorro para o árbitro eletrônico. Para os jogadores que gostam de discutir toda marcação da arbitragem, um alerta: quem importunar o juiz no momento da revisão de um lance, ou tentar forçar a barra pedindo a participação do VAR, levará cartão amarelo.

Na frustrante estreia do Brasil contra a Suíça (empate de 1 x 1 no último domingo), dois lances chamaram a atenção e geraram críticas à arbitragem. No primeiro a suposta falta sobre o zagueiro Miranda, que originou o empate dos suíços. Num segundo momento, o atacante brasileiro Gabriel Jesus caiu na área pedindo pênalti. A Fifa demorou 24 horas para se posicionar sobre as críticas e disse em nota oficial que “o VAR foi consultado – apesar de ninguém ter visto isso ao vivo – e não constatou irregularidades nos dois lances, e ponto final!.

Aos 11 minutos do segundo tempo do jogo entre França e Austrália, em Kazan, no último sábado, um momento histórico. Pela primeira vez em uma Copa do Mundo, um pênalti foi marcado com a ajuda do VAR. O juiz uruguaio Andrés Cunha não viu a falta de Ridson em cima do francês Griezmann e contou com a ajuda da tecnologia para marcar a penalidade, que resultou em gol do próprio atacante. Em mais uma utilização do recurso, em outra partida do sábado mais um pênalti foi marcado com auxílio do VAR. O peruano Cueva, porém, desperdiçou a cobrança no jogo contra a Dinamarca.

Na lance que antecedeu o gol da Suíça, no jogo de empate com o Brasil no domingo, os jogadores brasileiros pediram o uso do VAR, mas não foram atendidos pelo juiz mexicano Cesar Miranda. Diversos ângulos da gravação do jogo mostram que Steven Zuber empurrou o zagueiro brasileiro Miranda logo antes da Suíça igualar o placar. O problema é que essa jogada é mais comum do que se imagina numa partida de futebol, e, portanto, dependente única e exclusivamente da interpretação do árbitro principal do jogo para determinar a infração ou não.

Por fim, não custa nada lembrar: em sua última entrevista, concedida à ‘Revista Espoint’, de Cuiabá, em 2009, o ex-presidente da Fifa, João Havelange – já falecido – disse ser totalmente contra o uso da tecnologia. Para ele “o futebol perderia a graça!”.

*Oliveira Júnior é jornalista esportivo em Cuiabá

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