LEGADO DA COPA: Após 4 anos, 13 obras não foram concluídas

Só o veículo leve sobre trilhos (VLT), maior e mais caro projeto, consumiu R$ 1.066 bilhão e segue sem previsão de conclusão

Em 2009, quando Cuiabá foi escolhida como uma das 12 sedes da Copa do Mundo de 2014, a população se encheu de esperança diante da possibilidade em deixar o atraso em infraestrutura urbana no passado. Mas, quatro anos depois, com a bola já rolando no Mundial na Rússia, 12 (57.14%) obras dentre 21 intervenções de mobilidade urbana, incluindo a própria construção da Arena Pantanal, não foram entregues, concluídas ou precisam ser refeitas. Juntas, essas obras já custaram aos cofres públicos cerca de R$ 2 bilhões.

Só o veículo leve sobre trilhos (VLT), maior e mais caro projeto, consumiu R$ 1.066 bilhão e segue sem previsão de retomada dos serviços, que além da capital beneficiariam a população de Várzea Grande. Responsável pelo modal, a Secretaria de Estado de Cidades (Secid) lembrou que o contrato com Consórcio VLT Cuiabá-Várzea Grande foi rescindido de forma unilateral após instalação de processo administrativo pelo Governo do Estado para apurar infrações contratuais.

A decisão de instalar investigação ocorreu após a deflagração pela Polícia Federal, em agosto de 2017, da operação “Descarrilho”, que indicou indícios de irregularidade no contrato. Segundo a Secid, uma nova licitação, que poderá ter participação de empresas nacionais e internacionais, está em andamento. Valores para a conclusão das obras, também ainda estão sendo calculados. O preço inicial era de R$ 1,477 bilhão e já foram aplicados R$ 1,066 bilhão, montante considerado na data base de maio de 2012.

Além do VLT e da Arena Pantanal, as demais intervenções não finalizadas são a trincheira Jurumirim/Trabalhadores, reforma e ampliação do Aeroporto Marechal Rondon, Complexo Turístico da Salgadeira, Trincheira Ciriaco Cândia, Avenida Parque Barbado, centro de treinamentos (COTs) da UFMT e do Pari, duplicação da Rodovia Archimedes Pereira Lima (Moinho), Avenida 8 de Abril com o Córrego Mané Pinto e a pavimentação das vias no entorno do estádio.

Já as entregues ou apontadas com 100% dos serviços concluídos, estão as trincheiras Lenine de Campos Póvoas ou Santa Rosa (R$ 30,6 mi) e Verdão (R$ 18,1 milhões), complexo viário do Tijucal (R$ 32,6 milhões), retadulamento do Morro do Despraiado (R$ 2,1 mi), Estrada da Guarita (R$ 32,8 mi), sistema de iluminação em Led em diferentes pontos da capital e de Várzea Grande (R$ 11,2 mi), Rodovia Mario Andreazza (R$ 25,3 mi), muros limítrofes na Vila Militar, aeroporto e UFMT (R$ 1 milhão), além do viaduto Professora Izabel Campos/Dom Orlando Chaves (R$ 19,2 milhões).

Pelas ruas das duas cidades, moradores e comerciantes, muitos prejudicados, se dividem entre a esperança e a desconfiança em ver todas as intervenções concluídas. “Eu não acredito mais. Já estão até plantando palmeiras no canteiro do VLT. Esse não deve sair mais”, disse Natanael Júnior, gerente de uma loja localizada na Avenida Coronel Duarte (Prainha), em Cuiabá. Já a vendedora Soraya de Oliveira, 33 anos, prefere acreditar. “Já gastaram muito dinheiro. A gente não pode aceitar que gastem tanto dinheiro sem que a população seja realmente beneficiada”, comentou.

DEMAIS OBRAS – Palco dos jogos em 2014, a Arena Pantanal possui três contratos, sendo um com a Mendes Junior (obras civis), outro com Consórcio CLE (TI, TELECOM) e com a Kango Brasil (assentos e mobiliário). Os serviços de instalação dos mobiliários esportivos de responsabilidade Kango Brasil estão conclusos. Porém, a contratada necessita efetivar correções pontuais nos assentos. Neste caso, o contrato é de R$ 18,2 milhões.

A construtora Mendes Júnior é responsável pelas obras civis. Ao total, ela já executou 98,4% dos trabalhos. Atualmente, o contrato estimado em R$ 453,2 milhões, encontra-se judicializado. Além disso, a Secid trabalha para um acordo com Consórcio CLE, com a finalidade de garantir o retorno do funcionamento do telão, catracas e som, por exemplo. O valor final do contrato está orçado em R$ 110,8 milhões e até o momento está 92,1% executado.

Quanto aos COTs, a Secid informou que o da UFMT está com 82% dos serviços executados. A construção tem orçamento estimado em R$ 17,25 milhões. Já o COT Pari está com os trabalhos parados. Até agora, 69,2% foram realizados, mas grande parte já depredada. A estrutura está orçada em R$ 31,7 milhões e mais de R$ 21 mi foram repassados ao Consórcio Barra do Pari, liderado pela empresa Engeglobal.

Outra intervenção bastante aguardada é a do Complexo Turístico da Salgadeira, que fica na Rodovia Emanuel Pinheiro (MT-251). A Secid garante que os trabalhos já foram concluídos e a inauguração deve ocorrer nos próximos dias. A reforma custou R$ 12,6 milhões. O resgate do local foi possível após a formalização de um Termo de Ajustamento de Conduta (TAC), firmado entre o Estado e o Ministério Púbico Estadual (MPE) com homologação do poder Judiciário, no ano passado.

Na Avenida Parque do Barbado, os trabalhos apresentam cerca de 76,2% de execução. O trecho que liga a Avenida Fernando Correa à Avenida Brasília está praticamente finalizado, restando a pavimentação da rotatória. Os serviços estão previstos para serem reiniciados nos próximos dias para conclusão da rotatória e da segunda etapa, que vai da Avenida Brasília à Archimedes Pereira Lima (Estrada do Moinho). A dimensão total da nova via é de 1,6 quilômetros. A obra de R$ 29,5 milhões está sob responsabilidade da Guaxe-Ecomind.

Já as intervenções no Aeroporto Marechal Rondon, em Várzea Grande, nos setores “A” e “B” estão finalizadas. Estas contemplam as áreas de embarque e desembarque doméstico e embarque internacional do aeroporto. “Resta apenas a execução da reforma do setor ‘C’. Atualmente, apresenta cerca de 85% de obra concluída”, informou. A obra completa do aeroporto está orçada em R$ 85,1 milhões.

Tem ainda a duplicação da Estrada do Moinho, que teve o convênio com a Superintendência de Desenvolvimento do Centro Oeste (Sudeco) prorrogado para até novembro deste ano, garantindo os recursos a serem aplicados na construção, que até o momento apresenta 70,3% de obra executada. Os serviços realizados pelo Consórcio Trimec-Hytec apresentaram diversas inconformidades, principalmente, no pavimento. Com aditivo, a obra custará aproximadamente R$ 23,3 milhões, após finalizada.

Quanto as obras de readequação da Avenida 8 de Abril foram paralisadas pela Engeglobal, devido período chuvoso. Até o momento, foram executados 67,3% dos serviços, sendo o valor do contrato final será de R$ 26,71 milhões. Já a pavimentação de vias no entorno da Arena Pantanal foi dividida em dois lotes. O primeiro corresponde a execução de trabalhos em quatro ruas. Essa etapa da obra já foi executada 100% e custou pouco mais de R$ 3,7 milhões.

A segunda etapa, refere-se à implantação de pavimentação em 37 vias com concreto betuminoso usinado a quente (CBUQ). Os trabalhos foram executados no valor de R$ 9,7 milhões, porém apresentaram alguns vícios de construção. As negociações para os ajustes são feitas entre a Secid e empresa Três Irmãos Engenharia, responsável pelas duas etapas.

Fonte: DC (Joanice de Deus)

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