Conheça a cidade da Argentina que tem apenas um habitante

Apenas Pablo Novak decidiu ficar na pequena Epecuén, após uma enchente que deixou quase tudo que havia ao redor submerso.

Pablo Novak caminha por Epecuén

Pablo Novak caminha por Epecuén – Divulgação/Gabriel Ruberttone

Em 1985, a pequena cidade de Epecuén, na província de Buenos Aires, desapareceu. Um lago termal invadiu ruas e casas, deixando tudo submerso. O local, fundado em 1921, que até ali era fonte de esperança para milhares de turistas que visitavam o Lago Epecuén em busca de melhora da saúde, ficou deserta. Ou quase.

Após a inundação, a destruição obrigou a evacuação da cidade em menos de uma semana. Segundo o jornalista Leandro Vesco, que visitou a cidade para realizar reportagem para o jornal La Nacion, a enchente foi irreversível.

— Foi dramático, as famílias saíram correndo, foi algo devastador para o ânimo das pessoas que deixaram o local rumo a outras cidades para continuarem vivendo.Apenas um morador não desistiu da vila argentina: Pablo Novak.

Marcas de sal – Pelas características do local, a água que entra na cidade não tem saída. A inundação de 1985, após vários períodos de seca, decorreu das fortes chuvas que retornaram à região.

Passados mais de 30 anos do drama, as águas que cobriram a cidade deram lugar a marcas de sal, novas trilhas, árvores brancas e ruínas.Mas para Pablo Novak as marcas não significam necessariamente trauma. Abriram caminhos, estranhos caminhos, como se estes apontassem para a alma silenciosa do local, que só é explorada por ele, aos 88 anos, conforme conta Vesco.

— Toda a família dele vivia lá, ele decidiu ficar porque era o seu lugar no mundo, não quis sair, não sente tristeza. Caminha todas as tardes pela vila, recorda cada espaço, está contente de continuar sendo parte de sua própria história.

Novak, que vive de sua aposentadoria, mantém contato com os familiares. Alguns moram em Carthué, cidade turística a 12 km de lá.  O Lago Epecuén, o segundo em quantidade de sal após o Mar Morto, permaneceu e ainda existe para fins turísticos e terapêuticos, que tornam atraentes as cidades das redondezas.

Outros estão em Buenos Aires. Fala frequentemente com eles pelo celular. Isso ele aceitou usar. Mas optou por uma solidão acolhedora.

Novak se sente feliz em morar no local

Novak se sente feliz em morar no local – Divulgação/Gabriel Ruberttone

Apenas um rádio – Novak mora em um pequeno rancho, cercado inclusive de esqueleto de trator e de muitas recordações.

— Ele vive sem eletricidade, com uma geladeira a gás. A cozinha é a chamada econômica, a lenha. Ele tem apenas um rádio, que o mantém atualizado. Com isso está realmente feliz. Vive como se vivia na Argentina nos anos 30, 40.

Recebe uma aposentadoria que lhe dá direito a desfrutar de um bom vinho e não abrir mão de seu mate para se aquecer no inverno. Isso é algo lindo, especial.

Ele contempla a vida na cidade onde nasceu

Ele contempla a vida na cidade onde nasceu – Divulgação/Gabriel Ruberttone

Quando centenas de turistas chegam ao local, de onde Novak resistiu a inúmeros apelos, até ordens, para sair, eles pensam que irão se deparar com uma cidade fantasma.

Mas Novak ainda está lá para contar histórias de Epecuén, como esta declaração publicada por Vesco em seu artigo:

— Inaugurei a escola na vila. Mamãe (que tinha 12 filhos) nos dava uma lata e buscávamos ovo do galinheiro, que vendíamos, quando juntávamos para uma entrada no circo, já podíamos nos dar por satisfeitos. Assim foi minha infância. Não havia muito dinheiro, mas jamais faltou comida.

Graças a Novak, a cidade segue existindo.

Fonte: R7 (Por Eugenio Goussinsky)

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