VG 151 anos, a cidade tecnológica de Mato Grosso

*Por Wilson Pires

Da Várzea Grande fundada por Couto Magalhães em 15 de maio de 1867, pouca coisa existe como referência. Sempre fez parte da vida histórica da antiga “Várzea” as reclamações com as autoridades governamentais, com os descasos e como tratavam o pequeno lugarejo.

A várzea no entanto, sempre mostrou sua vocação de cidade grande, de porte, parecia haver nos primeiros moradores uma autoconfiança em relação ao futuro da pequena vila, que viria a tornar-se à cidade industrial do Estado de Mato Grosso.

Não obstante, os horizontes do terceiro Distrito de Cuiabá na década de 40 só foram ampliados diante da emancipação do município, sancionada pelo então governador Arnaldo Estevão de Figueiredo em 1947.

Os anos 50 esboçam a futura capital da indústria. A arte de carnear, herança dos prisioneiros paraguaios, marcou o cotidiano dos negócios. Para curtir o couro dos animais abatidos, Várzea Grande ganharia sua primeira indústria do gênero.

Do artesanato do início do século, a cerâmica virou atividade industrial de forte e inúmeras empresas destinadas a este ramo estão instaladas em todo o município.

A vocação industrial ganha notável impulso com a chegada dos anos 70, tempo do Brasil gigante. Da Transamazônica e da rodovia Cuiabá – Santarém. Muitas doações de áreas, incentivos fiscais de toda a natureza e infra-estrutura adequada, atraem grandes grupos econômicos.

Deu-se o início à industrialização, a Alameda Júlio Muller, antigo caminho de pescadores, ganha ares de Distrito Industrial. Instalou-se ali a empresa Sadia Oeste, que empregava na época quase dois mil funcionários e que exportava um milhão de toneladas de carne por ano, sendo grande fator de geração de divisas para o município.

Próximo a Sadia Oeste, crescia o grande Cristo Rei, o maior bairro residencial deste município e celeiro de mão-de-obra local.

A exploração da industrialização, ocorrida em todos os cantos do município, estimulou o comércio que ferve em toda a extensão da Avenida Couto Magalhães. E se Várzea Grande sempre foi caminho, passagem, o destino mais uma vez lhe foi fiel. Privilegiada pelo relevo e embalada pela vontade de decolar, a cidade ganhou em 1949 um moderno Aeroporto, localizado a 8 quilômetros do centro da Capital Cuiabá. Do Aeroporto Internacional Marechal Rondon, saem vôos para os mais diversos destinos que vão de fazendas e garimpos até grandes centros do país.

E no tear do tempo Várzea Grande vai sendo gerada por seu povo, sua gente e a vida que leva. Acolhe nos braços migrantes de toda parte, oferece oportunidades, vira gente grande, desenvolvida e progressista, gera riquezas sem abandonar suas raízes.

Os antigos vaqueiros já não são vistos levando o gado para a Passagem da Conceição, mas a tradição permanece.
Várzea Grande cresceu para ser caminho. Passam vidas, cruzam histórias.

Cidade Industrial
É uma realidade, o que para muitos no passado era apenas um sonho. Fiel a sua vocação de cidade industrial, é ponta de lança na construção do Mato Grosso industrializado do terceiro milênio, transformador de matéria prima e gerador de riquezas.

Todos os caminhos passam pela várzea predestinada a ser grande.
Pelas avenidas da FEB, Couto Magalhães, Júlio Campos, rodovias dos Emigrantes e Mário Andreazza até o Trevo do Lagarto passam produtos e pessoas, levam e trazem riquezas.

Sua gente acolhedora recebe com amor, todos aqueles que a escolhem para morar. Aberta a todas as culturas consegue se manter fiel às suas riquezas culturais.

Parque Tecnológico
Para muitos era um sonho, parecia impossível o referido Parque ser construído em Várzea Grande, devido à grande concorrência com muitas cidades de Mato Grosso. Mas no dia 07 de maio de 2018, o governador Pedro Taques em uma concorrida solenidade assinou a ordem de serviço para construção do Centro de Inovação do Parque Tecnológico de Mato Grosso, na região do Chapéu do Sol em Várzea Grande.

O Parque Tecnológico Mato Grosso é um ambiente voltado à criação, desenvolvimento, disponibilização de soluções tecnológicas e atração de empresas inovadoras ao mercado. Sua estruturação está sendo realizada pela Secretaria de Estado de Ciência, Tecnologia e Inovação – SECITEC, órgão ao qual o Parque se encontra diretamente vinculado, além de outras instituições públicas e privadas parceiras do projeto.

O Parque será implantado na região denominada “Chapéu do Sol”, na cidade de Várzea Grande/MT, em uma área de 16 hectares, dos quais 8 ha estão reservados para a instalação de instituições públicas com os demais 8 ha destinados a abrigar empresas e instituições privadas. Já estão praticamente concluídas, nas imediações do Parque, as instalações dos Campi de Várzea Grande da Universidade Federal de Mato Grosso/UFMT e do Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia de Mato Grosso/IFMT, além da proposta de instalação da Universidade de Mato Grosso/UNEMAT na área do Parque. O primeiro edifício a ser construído será o Centro de Inovação, que abrigará um espaço de coworking, incubadora e aceleradora de startups, centro de pesquisas, área corporativa, estacionamento, restaurante e um anfiteatro para 700 pessoas.

O entorno da área de 16 ha do Parque Tecnológico conta com uma reserva de 64 hectares de propriedade privada, cuja destinação é voltada à instalação de empresas e organizações, privadas ou públicas, com atuação nas áreas estratégicas definidas pelo Parque Tecnológico de Mato Grosso.

*Wilson Pires de Andrade é jornalista em Mato Grosso

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