A política não mudou muito em Cuiabá

*Por Wilson Fuáh 

Era corriqueiro nos anos 60 os cuiabanos reunirem para discutir política, e sentados nas calçadas  ao final da tarde ficam esperando a fresca da noite, e de conversa em conversa, cada um contava suas histórias e experiências de vida, e ficávamos a ouvir as conversas dos nossos parentes cuiabanos, e cada um tinha um causo para contar.

Ainda criança, lá estava eu, no meio de uma geração que estavam acima da minha, e entre eles, e cada um carregava consigo um apelido eterno: Acelino (Peli), Zé Soares (Zeca), Miguel (Boi), Jamil (Alicate), Valtinho (Show Bostou), Altair ( Lau), Zé Copertino (Coberto), Hélio (Barriga de Folha), olha como era bom ouvi-los com aquele linguajar cuiabano daquele tempo.

E entre os casos contados, separei este: tinha um político que distribuía casa da COHAB, com a possibilidade de retorno político (votos), e próximo da eleição, o político saia de casa em casa, com o seu Cabo Eleitoral, e com a lista nas mãos, buscava a possibilidade de votos, e chegou a casa de um cuiabano esperto pra “catiça”, era um político com cara de tacho, e pé por pé, meio espantado, que até parecia “veado que viu caxinguelê”, foi entrando meio desconfiado, mas era um Cêpo do altão, e veio para aquela casa no bibocá em busca da continuação da nhapação.

E Cabo Eleitoral foi logo dizendo:

  • O nosso candidato lhe deu esta casa, e agora ele quer o seu voto.

E, o cuiabano respondeu:

  • Agora eu quero murar e aquele que me ajudar a fazer o muro, é nesse que eu vou votar.

Mas, o Cabo Eleitoral, insistiu com medo de levar na taraqueta:

  • O nosso candidato é aquele que lhe deu a casa, (Seo Nhonhô ficou sapeando aquela conversa que até parecia “baba de boi casado”, que estica até ao chão e depois volta para dentro da boca) e depois de muito ouvir, disse:

  • A casa comprei da COHAB, estou pagando, e não pensa que aqui é fácil enganar o povo, pois não somos gente “esgualepada” ou “bobó lelé”.

E para correr com o candidato, disse no escutador do político:

  • O Senhô não sabe onde está pisando, deve ter cuidado, pois quem pisa no tijuco, logo pega cobreio.

  • O Senhô é um político cheio de “barda”, pensa que pode nos “encasquetar” e que de assunto em assunto, poderá “debuiá” o nosso voto com os seu falatório, e logo percebi a falsidade do político, pois chegou carregando uma crianças com “ranho” correndo pelo nariz, para parecer que não tinha nojeiras de pobre, mas todos são iguais, usam as conversas cumpridas que nem “fieira de bagre”, e como a comida era pouca, não podia convidar o político para comer, pois ele estava “varado de fome”, e podia comer tudo, e deixei com cara lambida, que ficou só “pão quero” com o cheiro da costelinha

de porco com arroz, e como não conseguiu nada, subiu no carro preto do Estado e saiu num “carrerão”,  pois o povo aqui já tá “esclamentado”, e já está até “sopitado” de conversa fiada.

A política não mudou muito, hoje os políticos, não gastam mais a saliva e a sola de sapato, eles chegam de carrão e com bolsas cheias de dinheiro financiado pelo “caixa 2”, ou pela Verba indenizatória acumuladas para comprar votos com facilidade.

O mundo da política é bem diferente do mundo real, e o pior, antes o político compra o voto e hoje eles também vendem os seus votos através das Emendas Parlamentes Impositivas, por isso, a política virou um grande negócio com o “toma lá, dá cá”.

*Wilson Carlos Fuáh é economista

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