Delação de Silval promete novas operações em breve, avalia chefe do MP

O procurador-geral de Justiça Mauro Curvo acredita que a demora no compartilhamento das provas anexadas à delação do ex-governador Silval Barbosa com o Ministério Público Estadual é motivada por uma possível nova operação que deva ocorrer elucidar os fatos narrados por Silval.

Desde o ano passado, o chefe do MPE em Mato Grosso já fez 3 pedidos ao ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), Luiz Fux, para que haja o compartilhamento do conteúdo das provas que já existem e da própria delação do ex-governador e sua família, além das provas apresentadas pelo ex-chefe de gabinete, Silvio Corrêa.

“Alguma coisa deve ser feita, só depois que vão compartilhar. É minha visão. Muitas vezes eles têm operação para fazer lá, que se fizer o compartilhamento corre o risco de vazar a informação. Então, muitas vezes, eles não fazem o compartilhamento com medo de vir a prejudicar uma operação futura”, disse o procurador.

Até o momento, a delação do ex-governador e sua família, além de seu ex-chefe de gabinete, Silvio Corrêa, culminaram somente na Operação Malebolge, a 12ª fase da Operação Ararath, deflagrada pela Polícia Federal em 14 de setembro de 2017. Ao todo, são 7 fatos apurados no inquérito instaurado a partir das delações.

Ainda segundo Mauro Curvo, dos pedidos feitos envolvendo as delações, apenas a do ex-secretário chefe da Casa Civil, Pedro Nadaf, já foi compartilhada com o MPE, ainda no ano passado. “O que recebemos lá, já tem algum tempo, foi a delação do Pedro Nadaf. Fora isso, não tivemos acesso à delação. Ela foi feita lá no STF, por pessoas que têm prerrogativa de foro. (…)”, disse.

Improbidade – Curvo explicou ainda que, somente após o compartilhamento, será possível que o MPE haja em relação aos crimes narrados na delação. Contudo, a ação será apenas no âmbito da improbidade administrativa e não no âmbito criminal.

“Sob o prisma da improbidade, do patrimônio público, quem tem a atribuição é o MPE. Não posso pedir a prisão porque só terá sido compartilhado. A questão penal estará toda lá [STF], não sei nem se um dia vai chegar aqui”, afirmou.

Desmembramento da investigação – O procurador ressaltou ainda que busca somente o compartilhamento das provas e delação – e não o desmembramento do inquérito que apura os fatos narrados na delação do ex-governador.

Ele esclareceu que não quer se “imiuscuir indevidamente” em investigações que não pertencem ao âmbito do  Ministério Público do Estado.

“Eu nem peço desmembramento de nada, porque eu posso, ao pedir o desmembramento, indicar o que se tem que fazer na investigação dele. Então eu quero o compartilhamento para ter acesso ao que já foi produzido, para poder tomar providências que são da alçada do Ministério Público”, esclareceu.

Além de Mauro Curvo, o presidente da CPI do Paletó, vereador Marcelo Bussiki, fez dois pedidos para que haja o compartilhamento das provas. Ambos ainda não obtiveram resposta.

Fonte: GD (Karine Miranda)

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