Governador suspende por mais uma semana processo de tenente Ledur

O governador Pedro Taques (PSDB) suspendeu até o próximo dia 14 o prazo para que o Conselho de Justificação, que apura a conduta da tenente do Corpo de Bombeiros Izadora Ledur Souza Dechamps, conclua seus trabalhos. A data é a mesma em que vence o atestado médico que a oficial apresentou para se manter afastada das atividades profissionais, o que tem feito reiteradamente, desde que foi acusada de torturar o ex-aluno Rodrigo Claro, que morreu após passar por sessões de afogamento conduzidos por ela, em novembro de 2016.

O conselho é composto pelo tenente-coronel Lahel Rodrigues da Silva (presidente), major Mário Henrique Faro Ferreira (interrogante e relator), capitão Emerson Henrique dos Anjos Acendino (escrivão). Todos oficiais do Corpo de Bombeiros Militar do Estado de Mato Grosso.

De acordo com a Lei estadual nº 3.993, que trata sobre o Conselho de Justificação, tal instância dispõe de um prazo de 30 dias, contados a partir da data de nomeação, para concluir seus trabalhos, incluindo a remessa de relatório. Esse prazo pode ser prorrogado por até 20 dias, por motivos excepcionais.

Porém, o caso já se arrasta há quase um ano, já que o conselho foi instaurado em 31 de maio de 2017, conforme publicado no Diário Oficial do Estado (DOE) do último dia 7 e destacado no ato do governador, que também é assinado pelos secretários de Estado da Casa Civil, Max Russi (PSB), e da Casa Militar, Wesney de Castro Sodré.

O Conselho de Justificação é a instância que julga, através de um processo especial, a incapacidade de oficiais da Polícia Militar para permanecerem na ativa. No julgamento, os alvos têm a oportunidade de se justificar. O conselho aplica-se também aos oficiais do Corpo de Bombeiros, como é o caso da tenente Ledur.

Caso Rodrigo Claro

Rodrigo Claro morreu aos 21 anos de idade, no dia 15 de novembro de 2016, vítima de uma hemorragia cerebral causada poucas horas após participar de treinamento e atividades aquáticas, pelo 16º Curso de Formação de Soldado Bombeiro do Estado de Mato Grosso.

Durante o treino, ele foi submetido pela tenente Ledur a sessões de afogamento, conhecidos como “caldos”, durante a travessia da lagoa Trevisan. Ele chegou a ser hospitalizado, mas após cirurgia e 5 dias de internação na UTI, acabou morrendo.

Conforme relatos de bombeiros que fizeram o curso junto com Rodrigo, além dos afogamentos, era constante o tratamento agressivo e humilhante por parte de Ledur, que costumava xingar, menosprezar e gritar com seus alunos, principalmente os que passavam por mais dificuldade nas atividades coordenadas por ela.

Outro lado

O Gazeta Digital entrou em contato com a mãe de Rodrigo Claro, Jane Claro. Ela informou que a tenente Ledur tem apresentado diversos atestados médicos, que apontam que ela sofre depressão, e que por isso o Conselho de Justificação tem afirmado que a oficial não tem condições de responder aos interrogatórios.

Fonte: GD (Celly Silva)

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