Mudança na PF busca apaziguar ânimos internos

Segovia virou problema para Temer e Jungmann

Fernando Segovia virou um problema para o governo, que, quando o nomeou diretor-geral da PF, imaginou que teria um controle maior de investigações de corrupção feitas pela Polícia Federal. Mas uma série de trapalhadas e declarações desastradas minou a credibilidade pública de Segovia e aumentou a contestação interna à gestão dele.

O presidente Michel Temer estava com uma batata quente nas mãos e aproveitou a oportunidade para se livrar dele. A sede de Segovia em agradar Temer criou um clima interno na PF que poderia resultar em investigações mais rigorosas contra o próprio presidente e ministros do governo. A indicação de Segovia se revelou um tiro no pé.

O novo ministro da Segurança Pública, Raul Jungmann, acertou ao aproveitar este momento para trocar o comando da PF. A Polícia Federal é a estrutura mais importante do novo ministério. A pasta já sofre contestação por ter sido criada no fim de governo e ter pouco tempo para mostrar resultado. Seria ruim começar um trabalho que dependerá da PF com um diretor-geral tão enfraquecido e capaz de criar crises ao simplesmente abrir a boca.

Com a nomeação de Rogério Galloro, Jungmann faz um aceno para a corporação, apaziguando ânimos internos. Manter Segovia só atrapalharia a vida de Jungmann, que conseguiu dinamitar o pouco apoio político que o ex-diretor da PF ainda tinha. Por exemplo: o ministro da Casa Civil, Eliseu Padilha, era um forte fiador da sua permanência.

A gota d’água para convencer Temer foi o pedido da procuradora-geral da República, Raquel Dodge, para que o STF (Supremo Tribunal Federal) emitisse ordem a fim de que Segovia se abtivesse de intervir em inquérito que investiga os portos. A atitude de Dodge foi vista como desmoralizadora para Segovia.

Jungmann argumentou que era a melhor oportunidade para que ele e o presidente se livrassem de um problema. E assim Segovia caiu menos de quatro meses após assumir.

Fonte: Blog do Kennedy

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