Silval Barbosa diz que foi vítima de extorsão

Ex-governador confirmou que dinheiro no paletó do prefeito Emanuel Pinheiro era pagamento de extorsão

O ex-governador Silval Barbosa garantiu que os maços de dinheiro repassados ao prefeito Emanuel Pinheiro (MDB) pelo seu ex-chefe de gabinete Silvio Cesar Correa são frutos de extorsão. De acordo com ele, o peemedebista e os demais deputados estaduais da legislatura passada exigiram propina para não emperrar as obras oriundas dos programas governamentais como o MT Integrado e obras da Copa do Mundo.

Silval afirma que, inicialmente, o valor exigido pelos parlamentares era de R$ 1 milhão para cada. No entanto, após “negociações” ficou definido que cada deputado receberia o montante de R$ 600 mil dividido em 12 parcelas.

Os pagamentos começaram a ser realizados no ano de 2013 e se estenderam até 2014. As declarações foram dadas nesta sexta-feira (23) durante depoimento junto a Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) instaurada na Câmara de Cuiabá contra o atual prefeito da Capital.

“Aquelas imagens que foram gravadas não têm nada a ver com mensalinho. Mensalinho era outra coisa. Mensalinho não se confunde com aquelas imagens. Aquelas imagens são fruto de extorsão que houve para não atrapalhar obras da Copa, MT Integrado e outras. Chegaram a pedir R$ 1 milhão. Chegamos a um acordo de R$ 600 mil para cada deputado e dividimos em doze parcelas”, disse.

O ex-governador afirma que os parlamentares chegaram até fazer uma reunião de colegiado para definir de que forma iria extorqui-lo. Geralmente, as reuniões do Colégio de Líderes são realizadas semanalmente e servem para definir pautas de votação e debater projetos.

“Por conta das obras que estavam sendo executadas, quando começaram a sair recursos, quando começaram várias obras, começaram os problemas do meu Governo. Chegaram a fazer reunião de colegiado para ver como iriam me extorquir”, afirmou.

Segundo Silval, o dinheiro repassado aos parlamentares a título de propina era oriundo das empresas responsáveis por obras do Governo em todo o Estado. O ex-gestor conta que tinha meses que o pagamento aos deputados atrasava por conta das medições nas obras.

“Quando atrasava o pagamento, o senhor não imagina a pressão. Os deputados começavam a pedir audiência comigo, e quando atendia era para cobrar o pagamento da propina. Falei com a maioria deles, inclusive com Emanuel”, garantiu.

O ex-governador afirmou que a maior parte dos deputados recebeu até 80% do que foi acordado. “Como eu já disse, quem tinha controle era o Silvio. Foi acordado passar em doze vezes. Parte foi pago totalmente, como caso da Luciana Bezerra, que pegou até mais. Mas a maioria dos deputados recebeu cerca 80%”, pontuou.

Pinheiro alega que o dinheiro em questão é referente ao pagamento de pesquisas eleitorais contratadas por Silval Barbosa junto a seu irmão, Marco Polo Freitas, dono de um instituto no Estado.

“Conheço o Instituto Mark há muitos anos. Contratei várias pesquisas. O partido também teve a oportunidade. Foram várias pesquisas. Como toda campanha eleitoral, a pesquisa é paga e declarada um terço. O restante é caixa 2 mesmo. Mas a questão do vídeo não tem nada a ver com pesquisa de Popó. O vídeo era do acordo com deputados”, rebateu Silval.

Silval ainda acrescentou que Pinheiro também era beneficiado com o pagamento do mesalinho.

Na próxima semana a Comissão deve se reunir para deliberar sobre alguns requerimentos que de encontram pendentes como a convocação d o funcionário de Sílvio Cesar Correa, o “Coxinha”, a acareação entre Allan Zanatta e Silvio, bem como a convocação de ex-deputado José Riva.

Powered by WP Bannerize

Deixe uma resposta