“Não faz sentido”, afirma Moro ao negar pedido de Lula para suspender perícia

Defesa do petista alegou que há suspeita de fraude ou manipulação no sistema de arquivos da Odebrecht; juiz entendeu que questão será esclarecida com a análise do material realizada pela Polícia Federal

Defesa de Lula afirma que há suspeita de fraude ou manipulação no sistema de contabilidade informal da Odebrecht
Fernando Frazão/Agência Brasil – 6.6.16

Defesa de Lula afirma que há suspeita de fraude ou manipulação no sistema de contabilidade informal da Odebrecht

O juiz federal Sérgio Moro negou nesta quinta-feira (15) pedido da defesa do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva de suspender a perícia da Polícia Federal sobre os documentos extraídos dos sistemas de contabilidade informal da Odebrecht.

No pedido, a defesa de Lula afirma que há suspeita de fraude ou manipulação no sistema.  No entanto, o juiz federal entendeu que a alegação dos advogados é uma das questões que devem ser esclarecidas com a perícia. Moro ressaltou ainda que o laudo está sendo elaborado justamente para esclarecer questionamento da defesa do réu. “Então a pretensão da Defesa de suspensão da perícia por suspeita de fraude não faz o menor sentido”, escreveu o magistrado.

A ação penal, envolvendo a planilha da empreiteira, apura suposto esquema de pagamento de propina da Odebrecht por meio da compra de um terreno para a construção da sede do instituto do ex-presidente petista e da aquisição de um apartamento em São Bernardo do Campo, no ABC Paulista.

De acordo com a análise pericial desenvolvida inicialmente pela assessoria de Pesquisa e Análise da Procuradoria da República no Paraná, parte dos R$ 12,4 milhões gastos com o terreno destinado à instalação do Instituto Lula em um terreno na Vila Clementino, zona sul de São Paulo, foi “disponibilizada pelo Grupo Odebrecht com recursos de caixa dois”.

Esse montante teria chegado a R$ 3 milhões e foi movimentado no exterior por meio de offshores controladas por Olivio Rodrigues Júnior, responsável por movimentações financeiras irregulares da empreiteira fora do País. As informações do sistema Drousys, plataforma digital hospedada em Estocolmo, na Suécia, foram encaminhadas ao MPF em março do ano passado.

Os quatro discos rígidos de informações, segundo a Procuradoria, contém mais de 1,7 milhão de documentos, entre e-mails, planilhas e comprovantes de pagamentos. Os peritos relataram ter chegado à conclusão de que a movimentação de R$ 3 milhões no exterior tinha relação com o terreno na Vila Clementino a partir do cruzamento de informações entre vários documentos.

Entenda a denúncia

O ex-presidente é acusado de ter cometido crimes de corrupção passiva e lavagem de dinheiro nos episódios referentes ao terreno na Vila Clementino e a um apartamento no ABC Paulista.

As investigações indicam que o petista teria aceitado receber da Odebrecht, entre 2010 e 2014, um terreno na zona sul de São Paulo no valor de R$ 12,4 milhões para instalação da sede do instituto do ex-presidente. A empreiteira também teria negociado a compra de um apartamento em frente ao que o ex-presidente mora em São Bernardo do Campo, na Grande São Paulo.

O imóvel é avaliado em R$ 504 mil. Segundo o Ministério Público Federal, os imóveis foram oferecidos pela construtora ao ex-presdinte petista como uma espécie de agradecimento pela manutenção de Renato Duque e de Paulo Roberto Costa em diretorias de interesse da empreiteira na Petrobras.

A defesa do ex-presidente nega que Lula tenha praticado os crimes imputados a ele e alega, em nota, que “as delações dos executivos da Odebrecht mostraram que o ex-presidente não recebeu tais imóveis, o que deveria justificar a extinção da ação por meio de sua absolvição sumária”.

Fonte: Último Segundo

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