Com ajuda do programa Pânico na Band, Bolsonaro sai na frente

Quadro protagonizado pelo humorista Carioca colaborou para candidato se tornar conhecido no cenário político pelas classes de audiência do programa

Jair Bolsonaro tem feito uma peregrinação pelos Estados Unidos em eventos diversos, mas alguns deles foram cancelados
Moisés Silva – 15.9.2017

Jair Bolsonaro tem feito uma peregrinação pelos Estados Unidos em eventos diversos, mas alguns deles foram cancelados

Antes de deixar de ser exibido na televisão em dezembro do ano passado, o programa Pânico na Band dedicou diversos domingos para dar espaço e credibilidade ao deputado Jair Bolsonaro (PSC-RJ), um dos presidenciáveis nas eleições de 2018. A divulgação disfarçada de humor chegou a ganhar até um quadro: “Mitadas do Bolsonabo”, onde o humorista Márvio Lúcio, o Carioca, imitava o político.

Porém, engana-se quem pensa que a imitação servia para ridicularizar ou ofender Bolsonaro , como já foi feito antes pelo programa, com Dilma e Lula. O objetivo do quadro era exaltar os ideais políticos do deputado, criando uma espécie de título de “mito” para ele.

A atração se baseava em perguntas feitas pelo público ao personagem Bolsonabo , onde ele respondia de maneira grosseira e preconceituosa sobre temas relacionados a mulheres e LGBTs. As respostas do humorista eram sempre aclamadas e recebidas com aplausos e euforia pelo público, que também fazia parte do elenco.

Com maior tempo de visibilidade “patrocinada” por um programa de televisão, o deputado certamente conseguiu se aproveitar da audiência da emissora para se tornar conhecido no cenário nacional entre os espectadores do Pânico na Band , o que o favorece diante das eleições que acontecerão em outubro.

A atitude parece pouco democrática quando a exposição de ideias de apenas um candidato recebe atenção e é exaltada, enquanto nenhum outro elegível recebeu a mesma atenção do programa.

Apesar de não configurar propaganda eleitoral antecipada, por não ter sido explícito o pedido de voto, o artigo 36-A da Lei das Eleições ressalta que as emissoras de rádio e TV devem dar tratamento isonômico aos pré-candidatos.

Sem Lula, Bolsonaro pode vencer eleições

As aparições no programa já refletem na posição de Bolsonaro diante das pesquisas de intenção de voto. Segundo o levantamento divulgado na manhã desta quarta-feira (31), pelo Instituto Datafolha o deputado fica em segundo lugar na corrida presidencial, com 16% das intenções de voto, atrás apenas de Lula, com 37%.

Mas, se o nome de Lula não estiver nas urnas em outubro deste ano, o deputado do PSC é quem aparece como principal candidato à Presidência da República. No cenário sem o petista, Bolsonaro lidera com 18% das intenções de voto, contra 13% de Marina Silva (Rede), 10% de Ciro Gomes (PDT) e 8% tanto para Geraldo Alckmin (PSDB) quanto para o apresentador de TV Luciano Huck (sem partido). Nos demais cenários analisados sem Lula, Bolsonaro aparece com 19% e 20% das intenções de voto.

Fonte: Último Segundo

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