PGR recusa acordo de delação premiada com Eike Batista

Negociações teriam dado errado porque, para a procuradora-geral da República, Raquel Dodge, as provas apresentadas seriam insuficientes

Antes de ser transferido para a penitenciária Bangu 9, o empresário Eike Batista teve a cabeça raspada
Reprodução/Globonews

Antes de ser transferido para a penitenciária Bangu 9, o empresário Eike Batista teve a cabeça raspada

A proposta de delação premiada feita pelo empresário Eike Batista foi rejeitada pela Procuradoria-Geral da República (PGR). A informação foi antecipada nesta sexta-feira (26) pela revista “Veja”.

As negociações para que Eike Batista firmasse o acordo com a PGR também estavam acontecendo com a equipe de procuradores da República no Rio de Janeiro, no entanto, as provas apresentadas não foram aceitas por serem consideradas insuficientes.

A equipe da procuradora-geral da República, Raquel Dodge, não comentou sobre o fato de ter rejeitado a colaboração do empresário por não se manifestar sobre negociações de delação que, por lei, são protegidas por sigilo.

Segundo o jornal Folha de São Paulo, “advogados que atuam em Brasília e fazem a defesa de investigados pela Operação Lava Jato têm afirmado, nos bastidores, que as negociações de acordos com a PGR perderam o ritmo desde que Dodge assumiu o comando, em setembro”.

Histórico

O empresário sempre manifestou a intenção de fechar acordo de delação premiada com o Ministério Público Federal, desde que foi preso, em janeiro.

Eike é réu na Justiça Federal do Rio por corrupção ativa, lavagem de dinheiro e organização criminosa. Segundo as investigações, o empresário teria repassado US$ 16,5 milhões em propina ao então governador do estado, Sérgio Cabral (PMDB), por meio de contratos fraudulentos com o escritório de advocacia da mulher de Cabral, Adriana Ancelmo, em uma ação fraudulenta que simulava a venda de uma mina de ouro, por intermédio de um banco no Panamá.

Antes de ser julgado, o empresário chegou a ser preso preventivamente, na Operação Eficiência, um desdobramento da Lava Jato no Rio de Janeiro.

Quando proferiu seu voto, pedindo sua prisão, o presidente da Sexta Turma do STJ, ministro Rogério Schietti, afirmou que ele deveria continuar preso ante a “magnitude sobrenatural, que foge de qualquer parâmetro que se vê no cotidiano forense”, dos crimes praticados.

O MPF (Ministério Público Federal) chegou a afirmar que os prejuízos aos cofres públicos provocados por Eike são “imensuráveis”, tendo provocado prejuízo “profundo e significativo ao patrimônio e à moral do estado do Rio de Janeiro e do Brasil”.

Ao defender a liberdade de Eike Batista, o advogado Fernando Teixeira Martins afirmou, em abril deste ano, que o empresário sempre buscou colaborar com a Justiça, em especial desde que foi solto pela liminar do STF. “Não houve nesses três meses nada que pudesse ensejar qualquer desconfiança”.

Fonte: Último Segundo

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