Cuiabano receberá R$ 138 mil em ação contra programa de Rodrigo Faro

O cuiabano Walmor Ferreira ganhou na Justiça o direito de receber R$ 50 mil por danos morais, R$ 30 mil por danos estéticos e ainda R$ 58 mil a título de ressarcimento de um tratamento dentário e psicológico da TV Record e do apresentador Rodrigo Faro, por conta de uma mal sucedida participação no quadro “Arruma meu Marido”. A decisão foi proferida pelo juiz Yale Sabo Mendes, da 7ª Vara Cível de Cuiabá, no último dia 24. Cabe recurso da decisão.

Na ação de obrigação de fazer com pedido de indenização por danos morais e materiais, o cuiabano cobrava o custeio de um tratamento odontológico ao qual foi submetido para reabilitação, após uma “transformação” sofrida no programa televisivo.

Entenda o caso

No início de 2011, a pedido da esposa, Walmor participou do quadro “Arruma meu Marido” do programa de TV. Após passar por uma seleção de candidatos, ele teve que seguir algumas determinações da produção, como deixar de fazer a barba e o cabelo por 9 meses, o que ocorreu entre março e dezembro daquele ano.

No dia 5 de dezembro de 2011, ele viajou para São Paulo e, chegando à emissora, começaram os preparativos para a gravação, com tratamentos estéticos dermatológicos, limpeza de pele, aplicação de botox, corte de cabelo, barba e unhas e o “tão prometido” tratamento dentário.

No entanto, a clínica parceira do programa, ao invés de realizar o procedimento, optou por extrair 12 dentes em apenas dois dias e colocar uma dentadura no lugar, causando muita dor no paciente, que nem mesmo com uso de anestésicos foi capaz de amenizar. Por conta do inchaço da boca e da gengiva, Walmor se negou a participar do programa porque ainda estava se sentindo mal, tanto fisicamente, quanto psicologicamente. Ele afirma que se sentiu enganado e humilhado pela emissora.

Contudo, afirmando ter sido coagido pela produção, que afirmou não poder alterar a grade do programa. A gravação acabou ocorrendo no dia 21 de dezembro daquele ano. Na ocasião, ele teria sido orientado a não fazer muitos movimentos com a boca para evitar que a dentadura se soltasse e revelar o verdadeiro estado da transformação.

Walmor contou ao juiz que acabou aceitando gravar o programa na esperança de ganhar um verdadeiro tratamento para os dentes, mas acabou vivendo “um drama” pois, depois disso, teve que ficar por 4 meses se alimentando apenas de líquidos e recebeu do programa, após “súplicas ao produtor” apenas uma dentadura que recebeu via correios, mas que sequer pôde usar porque não se encaixou em sua boca.

Segundo o cuiabano, durante a apresentação do programa, o apresentador Rodrigo Faro, por diversas vezes, o expôs ao ridículo diante de milhares de pessoas, fazendo piadas e comparando-o a animais da fauna pantaneira.

Depois disso, teve que contar com a ajuda de familiares para pagar as despesas com 4 próteses móveis, tendo que vender sua motocicleta para arcar também com um tratamento psiquiátrico para reverter um quadro de fobia social que adquiriu após ser alvo de “olhares e chacota por onde passava”. Walmor afirma que ficou deprimido e teve até dificuldade em sair para trabalhar com medo de ser reconhecido.

Walmor apresentou comprovantes de que gastou R$ 57,4 mil com sua reabilitação bucal e pediu o ressarcimento desse valor, além de R$ 6,4 mil a título de danos morais, além da proibição do quadro em que participou ser reprisado pela emissora.

Outro lado

Por sua vez, a produção do programa de TV afirmou que os argumentos de Walmor são “fantasiosos” e que em nenhum momento foi prometido a ele que ganharia um tratamento odontológico que incluísse implante. Afirmou ainda que antes de sua classificação no quadro, Walmor já não possuía a maior parte dos dentes e que os restantes estavam “deteriorados” e em estado “calamitoso”. Segundo a produção, Walmor concordou com o tratamento por meio de prótese.

A defesa da TV também afirmou que presenteou o participante do quadro com o tratamento estético, R$ 500 em espécie e mais R$ 1 mil em roupas.

Em relação às alegadas chacotas, a produção rebateu dizendo que o participante sabia do tom de brincadeira realizada pelo apresentador, que faria comparações entre o antes e o depois da aparência de Walmor. Além disso, afirmaram que ele autorizou a utilização de sua imagem, conforme termo de acordo de participação no programa televisivo.

Decisão

O juiz Yale Sabo Mendes entendeu que a indignação maior do cuiabano foi em relação ao tratamento dentário que recebeu e à “tortura física e emocional” a que foi submetido, uma vez que a extração dos dentes ocorreu um dia antes da gravação, ou seja, ele não teve tempo para se recuperar e teve que fazer a gravação sentindo enormes dores.

“Assim, não obstante o Autor já apresentar uma saúde bucal debilitada antes do programa, é certo que ficou muito mais comprometida depois das extrações dos dentes realizadas pela equipe da Clinica que trabalha em conjunta com a RECORD”, diz trecho da decisão.

O magistrado também entendeu que a clínica dentária se preocupou mais com o tempo que teria antes da gravação do que com a saúde bucal do paciente, “não se preocupando se estavam mutilando-o, causando dor e humilhando-o”.

Relatórios médicos também comprovaram o prejuízo emocional e psicológico do paciente, que não mais saía de casa após a veiculação do programa, passando a sofrer com insônia, baixa autoestima, choro, raiva, entre outros problemas e que chegou a fazer uso de medicamentos.

Além do pagamento de R$ 138 mil em indenizações e restituição, o magistrado também proibiu a TV Record de reprisar o programa em que Walmor Ferreira participou.

Fonte: GD (Celly Silva)

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