Após prisões e processos, Silval ‘ajudará’ acabar com corrupção endêmica

Acusado e já condenado em um dos vários processos que apuram esquema de corrupção que atingiu praticamente toda a máquina pública do Estado, causando rombo bilionário ao erário, o ex-governador Silval Barbosa (sem partido) agora afirma que, com sua delação, quer contribuir para acabar com um sistema “endêmico” de corrupção.

“É essa postura que eu decidi depois de conversar com a família e com a área jurídica: de colaborar, de facilitar que as investigações cheguem num veredito e que eu possa colaborar que acabe esse sistema que tem no meio da política, de todo político achar que pode se beneficiar e usa os empresários”, afirmou na tarde desta quinta-feira (18), após comparecer ao último de uma série de depoimentos prestados junto à Corregedoria-Geral do Estado (CGE), ao longo da semana.

Ao explicar o motivo pelo qual decidiu fazer a delação, o réu em várias ações civéis e penais afirmou que a condução dos processos apontavam toda a culpa para ele, o que ele nega. “Num processo como esse, da forma que estava atribuindo, que todas as coisas erradas era só Silval que tinha participado, não. Eu não estou querendo atribuir coisas que pessoas não fizeram. Só estou colaborando com a Justiça e relatando as coisas erradas que foram cometidas e quem participou, quem se beneficiou, de empresários a políticos”.

Em seguida, ao citar sobre o interesse dos políticos junto aos empresários, Silval também criticou a classe empresarial. “Os empresários, no momento certo, a grande maioria se beneficia também e depois querem passar de vítima”, disparou.

Corrupção endêmica

Ao ser questionado se a corrupção vivenciada enquanto esteve no governo, já vinha de gestões passadas, Silval Barbosa apontou não só para os anteriores, mas também para a atual administração do Estado. “Esse sistema é endêmico! Ocorreu há muito tempo, praticamente em todos os governos e, infelizmente, a gente vê que isso ainda estava acontecendo, pelo menos relatos que houve e que estão havendo de quem já está tentando colaborar ou está fazendo colaboração também, em outros casos da gestão atual, que é o caso da Rêmora e outros. Infelizmente, isso acontece. Eu espero que daqui a pouco isso não venha acontecer mais no nosso Estado”, disse.

Silval ainda destacou que grande parte das empresas que contratavam fraudulentamente com o governo, anteriormente, continuam fornecendo produtos e serviços ao Executivo. “A maioria! A maioria! A maioria que atuaram, que forneceu continua fornecendo até hoje”.

Perspectiva de mudança

Para o ex-governador, a sua delação e a de outros políticos e empresários que atuaram no Estado pode ajudar a mudar o cenário de corrupção em Mato Grosso. “É um sistema que eu creio que depois dessa colaboração, não só minha, mas de outros também que colaboraram, venha ajudar que num futuro próximo isso não aconteça mais e aqueles que estão num cargo também não se sujeitam, através de pressão e de extorsão, a ceder pra esse tipo de coisa”, avaliou.

Por outro lado, Silval ponderou que isso depende, em boa parte, dos órgãos de fiscalização e controle, que durante sua gestão participaram e se beneficiaram das fraudes, como a Assembleia Legislativa e o Tribunal de Contas. “Quando tiver uma Assembleia que realmente trabalhe com outro sistema, que não ocorra mais como ocorreu no Tribunal de Contas… Eu vejo que é o momento de mudar. A realidade é outra e eu penso que, no futuro próximo, não só com a minha colaboração, mas de outros empresários, de outras pessoas, isso venha mudar”, reforçou.

Fonte: GD (Celly Silva)

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